O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), aproximadamente 50 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018. A partir disso, percebe-se que a desigualdade está cada vez mais evidente: enquanto a internet começa a ser realidade para alguns, para muitos outros a simples possibilidade de conexão ainda é uma utopia. Dessa forma, é válido analisar a origem dessa desconformidade presente no Brasil, bem como os desafios impostos para a implementação de um país tecnologicamente mais igualitário.

É fundamental, inicialmente, destacar que a histórica globalização é um dos principais fatores que motiva a desigualdade tecnológica no Brasil. Tal fato pode ser justificado quando se faz uma análise sobre as controvérsias desse fenômeno: se de um lado o processo da globalização favoreceu a integração econômica e cultural, do outro intensificou ainda mais a exclusão digital, mesmo sendo a responsável por introduzir novas tecnologias no mundo. Fato este que pode ser corroborado de acordo com o pensamento do geógrafo Milton Santos, no que ele chama de “globalização perversa’’. Ou seja, o lado da globalização que, paradoxalmente, favorece o fluxo de capitais e tecnologias, mas limita a oportunidades das pessoas em usufruir dessas vantagens. Portanto, fica evidente que o processo responsável por integrar a tecnologia e disponibilizá-la, de forma igualitária, ainda está muito distante do ideal.

Ademais, vale ressaltar que a escassez de renda e a falta de meios eficientes para nivelar o acesso à internet no Brasil ainda é um desafio que retarda o desenvolvimento do país. Isso acontece devido ao descaso, por parte dos poderes públicos, nos investimentos em oportunidades para as classes mais afetadas da Nação. Assim, como retratado pela obra ”Sociedade Espetáculo”, de Guy Debord, parte da população (em destaque os que possuem mais capital) preferem fechar os olhos e não enxergar a visível segregação econõmica e digital vivida no país, o que aprofunda ainda mais o não acesso à internet para todos.

Logo, faz-se necessária a atuação do Governo Federal, no âmbito do Executivo, na efetivação de medidas que favoreçam o acesso igualitário à internet. Tal ação pode ocorrer por meio da criação de conexões públicas à internet, tornando as classes mais vulneráveis independentes de empresas privadas que cobram caro para a instalação desse recurso nas residências. Além disso, um maior investimento em inovações tecnológicas, como estratégias de mercado que favoreçam a implantação de empresas provedoras de internet, são essenciais para reverter o atual quadro de desigualdade digital vivenciada no Brasil.