O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 15/06/2020
Consoante o filósofo Marshall Mcluhan, o avanço das tecnologias faria do mundo uma “Aldeia Global”, a qual abrigaria a todos democraticamente. Entretanto, tal lógica não é efetivada no Brasil atual, haja vista que o acesso à internet permanece deficitário e excludente. Desse modo, é lícito inferir que a problemática persiste em função da negligência governamental com a população menos abastada e da omissão midiática, que favorece a desinformação acerca das dimensões do entrave.
A priori, cabe ressaltar como a passiva postura Estatal fomenta as disparidades sociais no Brasil contemporâneo. De acordo com o sociólogo Thomas Marshall, é dever do Estado promover a igualdade entre os indivíduos, por intermédio do fornecimento de direitos básicos. Todavia, as não criar mecanismos que possibilitem a plena democratização do acesso à internet, o Governo colabora para a perpetuação da intensa estratificação social em vigor no país. Isso porque, a parca disponibilidade de uso de tecnologias atenua as oportunidades de aprendizado, inserção no mercado de trabalho e, por conseguinte, compromete as chances de ascensão profissional da população mais pobre, o que gera imobilidade social.
Outrossim, é pertinente pontuar a atuação omissa da mídia como um agente perpetuador do panorama. Nesse viés, o sociólogo Horkheimer afirmava que o papel dos veículos de comunicação deveria ser promover a difusão ampla de informações. No entanto, a ausência de peças publicitárias expondo a deficitária distribuição de acesso às redes acarreta o silenciamento do impasse, de modo a estimular uma postura indiferente dos agentes governamentais e da sociedade civil. Logo, tal conjuntura torna inercial a desigualdade tecnológica e social vivenciada pelas camadas populacionais mais carentes.
É evidente, portanto, a necessidade de se tornar igualitário o acesso à internet no Brasil. Para tanto, urge que o Governo Federal, em par com as prefeituras municipais, viabilize o Programa Internet para Todos (PIPT), no qual famílias de baixa renda poderão se cadastrar para ter acesso aos postos equipados com computadores e internet de qualidade – que devem ser construídos por meio de verbas governamentais oriundas de impostos – a fim de fornecer uso gratuito em diversos pontos das cidades, sobretudo em áreas marginalizadas e rurais, já que tais recursos tendem a ser mais restritos nessas localidades. Feito isso, a distribuição assimétrica de tecnologia e, consequentemente, oportunidades poderá ser mitigada e a previsão de Mcluhan concretizada.