O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/06/2020

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente aos problemas alheios não se limita à obra expressionista, já que, na realidade brasileira, as vítimas da falta de acesso à internet têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.

De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao não combater essa falta de acesso. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro na infraestrutura das escolas públicas, uma vez que faltam verbas para ampliar a compra de equipamentos eletrônicos, como computadores, bem como para oferecer o acesso à internet nesses locais, o que tem dificultado a inclusão digital dos alunos, sobretudo daqueles vulneráveis economicamente. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, nota-se que aceitar a falta de acesso à internet é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante da ausência de assistência governamental, visto que falta oferecer pontos de conexão gratuita à internet, como em bibliotecas públicas, o que tem favorecido, em virtude de uma marginalização de parte da população desse meio digital, a ampliação das desigualdades sociais. Constata-se, portanto, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem reduzido a capacidade crítica do indivíduo, o qual passar aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.

Convém, diante do exposto, ressaltar que a falta de acesso à internet deve ser combatida. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Ministério da Economia, invista financeiramente na melhoria da infraestrutura de escolas públicas, priorizando verbas para ampliar a compra de equipamentos eletrônicos e oferecer o acesso à internet nessas instituições, com o intuito de promover a inclusão digital dos alunos. Também, é fundamental sensibilizar as pessoas, via campanhas produzidas por veículos midiáticos, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada diante dessa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de uma assistência estatal que ofereça locais de conexão gratuita, visando a reduzir a marginalização digital. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.