O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas Moore, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo,  no Brasil, o que fora abordado pelo autor manteve-se no âmbito literário, uma vez que conectar-se à rede mundial de computadores torna-se improvável para os mais desfavorecidos. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas na área educacional quanto do rápido desenvolvimento das tecnologias da informação. Incita-se dessa forma, ações imediatas.

Antes de tudo, é necessário constatar que o Estado falha. O artigo 6º da Carta Magna afirma ser dever da União a garantia do direito a educação. De maneira análoga a Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política existe para garantir a felicidade aos cidadãos. No entanto, o acesso a essa tecnologia por parte da população de baixa renda, viola esse direito. Pesquisa do site G1 revela que em 2018, 46 milhões de brasileiros não possuíam recursos financeiros para comprar esses equipamentos. Logo, é imprescindível a atuação estatal para que tais obstáculos sejam superados.

Somado a isso, têm-se o fato de que técnicas novas nos meios digitais são desenvolvidas quase que diariamente, exigindo mudanças de hábitos convencionais por parte de todos. Tal fato pode ser constatado no método de ensino a distância, onde segundo o MEC (Ministério da Educação e Cultura), entre os anos de 2003 e 2018, foi registrado 4,8 milhões de matrículas no ensino superior, das quais, um terço referia-se a cursos de graduação por esse método – a grande parte em redes privadas de ensino. Logo, providências devem ser tomadas.

Diante desses impasses, faz-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União em conjunto com o Ministério da Educação, direcione mais verbas a Estados e prefeituras, para que as escolas públicas sejam providas de equipamentos informacionais e que cursos de informática sejam ministrados aos professores, com vistas a inserir os alunos nessa “rede” mundial de informações. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da não inclusão digital dos nacionais, e a coletividade alcançará a Utopia de More.