O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 28/06/2020
O filme espanhol “O Poço”, estreado em 2019, é uma contundente fábula sobre desigualdade social e retrata um presídio vertical que conta com um fosso, por onde passa um elevador com banquetes todos os dias, os ocupantes dos andares superiores podem se esbaldar, já os dos inferiores restam comer às sobras. Na realidade, o cenário não se difere no acesso à internet em questão no Brasil, que representa um desafio por ser distribuída de maneira heterogênea na sociedade. Isso é fruto do elevado grau de desigualdade social presente na atualidade. Consequentemente dificulta a inclusão digital igualitária.
Em primeiro plano, é importante frisar que a diferença existente entre as diferentes classes sociais gera consequências que possibilita e facilita o acesso desigual à internet. Nesse viés, observa-se que os usuários mais frequentes são aqueles que têm maior renda, escolaridade, entre outras características socioeconômicas, então, existe uma estrutura de reprodução injusta no mundo virtual. Segundo pesquisas realizadas pela Folha de São Paulo, cerca de 70 milhões de pessoas têm ingresso precário na web e mais de 42 milhões de brasileiros nunca acessaram a rede. Logo, fica claro que a desigualdade social reflete no acesso à internet e constitui-se um quadro preocupante no Brasil.
Em virtude desse quadro caótico, há aumento na dificuldade de inclusão digital igualmente em todo o país. Nessa lógica, o grande desafio é compreender que esse processo não é somente aumentar as vendas de computadores ou ensinar as pessoas a acessarem as redes sociais. Claro que isso também faz parte, entretanto, a diferença na distribuição de renda é um fator primordial para aumentar essa dificuldade. Com base em pesquisas realizadas pelo IBGE, o número de brasileiros que acessam á internet aumentou 76%, mas que as desigualdades ainda são obstáculo à incorporação digital. Assim, evidencia-se que medidas urgentes sejam tomadas para não deixar a situação mais tensa.
Diante dessa realidade, é notório que o Ministério das Cidades faça promoções de palestras, com o intuito conscientização para todos, sobre formas de combater a desigualdade social, e também juntamente com a mídia divulgar projetos que apoiem essa causa, através de posts em redes sociais que tenham reflexão profunda sobre o assunto. Assim como, disponibilizar relatórios com clareza a respeito dos impactos negativos desse fenômeno, expondo em outdoors distribuídos pela cidade e usufruindo da linguagem conativa para convencer o receptor que esse quadro é reversível. A fim de que haja democratização no acesso à internet na contemporaneidade brasileira.