O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 30/06/2020
No premiado filme de 2019 “Parasita”, o diretor Bong Joon-Ho retrata o momento em que um dos filhos de Kim é contratado pelos Park, uma família milionária, deixando o humilde jovem Ki-woo espantado com tanto luxo. Traçando um paralelo com o cenário atual, aonde a desigualdade social ainda é algo pertinente, é possível identificar que apesar de a população brasileira situar-se no século mais tecnológico de todos os tempos, o acesso à internet ainda se restringe a apenas uma parte da população brasileira, seja pela falta de condições financeiras, ou pela escassez de investimentos no âmbito educacional.
Em primeira análise, vale ressaltar que, segundo o IBGE, uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso a internet sendo que, dessas 4 pessoas 3 não possuem ao menos um aparelho eletrônico com acesso a rede. Portanto, pode-se inferir que há uma relação de dependência, aonde não basta ter um aparelho com acesso a rede wi-fi se não houver o propriamente dito, e assim vice e versa. Ademais, constata-se que, em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU), determinou que o acesso à internet é um direito de todo indivíduo do século XXI. Entretanto, é notório que essa não é a realidade da sociedade brasileira, uma vez que o acesso a essa ferramenta digital não é democrática.
Paralelo a isso, é relevante abordar que a sociedade supracitada vem enfrentando uma pandemia que paralisou a população, tornando necessário o Ensino a Distância (EAD), exigindo, desta forma, a necessidade de alunos e professores se adaptarem a esse novo método de ensino de maneira repentina. Contudo, assim como nem todos os alunos, muitas instituições de ensino não possuem uma infraestrutura e uma capacitação adequada para ministrarem aulas virtuais. Logo, o que deveria ser uma solução hábil, deixou claro que, consoante ao filósofo Karl Marx, a luta de classes é uma constante na história da humanidade.
Portanto, torna-se imprescindível a necessidade de tornar a internet uma ferramenta digital acessível a todos os brasileiros. Para isso, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, em parceria com o Ministério da Educação, amplie as redes de internet no Brasil, colocando coberturas nas áreas menos favorecidas, e investindo em escolas que ainda não desfrutam dessa tecnologia, com o objetivo de promover um ensino a distância qualificado, além de viabilizar atividades interativas e acesso a informação a todo e qualquer indivíduo. Assim sendo, a população poderá gozar da plena cidadania que lhes é garantida, sem que haja nenhuma distinção de classes sociais, para que assim, o futuro das próximas gerações possa tornar-se mais justa e igualitária, aonde todos os indivíduos poderão de fato se apropriar de uma ferramenta que tende a alavancar cada vez mais o país.