O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/07/2020
Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com o acesso à internet no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, diante de uma realidade instável que mescla discussões sobre o exorbitante valor dos planos de rede e sobre a ineficiência na distribuição do acesso do mundo virtual em todo país, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.
A priori, é importante destacar o elevado custo da mensalidade dos planos disponíveis pelas empresas de telecomunicações. Consoante a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação, aproximadamente 60% dos domicílios não possuem banda larga fixa devido ao alto preço exigido pelos provedores. Nesse contexto, verifica-se que a classe social de baixa renda é prejudicada devido ao excessivo preço da parcela mensal do plano que, de acordo com pesquisas, corresponde aproximadamente 15% do salário mínimo do cidadão. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Ademais, é fulcral pontuar a indisponibilidade no alcance da rede em regiões do território brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 190 cidades do Norte e do Nordeste sofrem com a falta de infraestrutura de internet, um exemplo seria Prainha, cidade do Pará, em que apenas 0,01% da população desfruta de alguma conexão com a web. Nesse prisma, percebe-se a exclusão social existente nessas áreas que são prejudicadas em comparação com áreas desenvolvidas. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira. Destarte, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, o Governo do Estado, em parceria com o Ministério da Ciência e da Tecnologia e das Companhias provedoras de Internet, deve criar projetos que ampliem a introdução a realidade online, por meio de instalações fornecedores de redes sem fio (WIFI) em praças e bibliotecas públicas, para que ocorra a democratização do acesso a internet. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.