O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 04/07/2020

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgou uma pesquisa a qual aponta que 25%, ou um em cada quatro brasileiros, não têm acesso à internet, representados em números 46 milhões de pessoas. Este dado confirma e revela que apesar do acesso à internet estar garantido na constituição do país, sua democratização enfrenta obstáculos, os quais impedem que essa parte da população usufrua do serviço de maneira igualitária e por isso sejam excluídas da sociedade digital.

Desde o início da colonização do país, todos as novas tendências de mercado e novas tecnologias foram testadas e implantadas nas metrópoles e suas proximidades, as regiões mais afastadas destas áreas foram excluídas do desenvolvimento, se tornando estagnadas frente ao progresso dos demais locais. Com a internet não foi diferente, zonas remotas e rurais, as quais por não possuírem uma infraestrutura adequada não podem receber e suportar a rede, visto que a mesma exige sistemas e equipamentos específicos para seu funcionamento, como energia elétrica, transmissores e receptores.        A desigualdade de renda também limita o acesso dos brasileiros ao mundo virtual. A maior parte da população desconectada das áreas urbanas se concentra nas regiões de periferia e favelas, onde as pessoas vivem com um ou até menos de um salário mínimo por mês, por consequência optam por deixar de contratar um provedor de internet, o qual possui um custo elevado, para se manterem com o básico de alimentação e moradia.

Segundo o IBGE, um dos principais empecilhos da popularização da internet no país é não saber usá-la, cerca de 26,1% das pessoas entre os domicílios urbanos e 20,7% entre os rurais. Isto prejudica a inclusão digital, pois a web é um mundo de possibilidades, interações e conhecimento, que, se mal utilizada, não trará todos estes benefícios e perderá sua função.

Visando democratizar a internet no Brasil, o governo deve direcionar as verbas dos impostos para implantar infraestrutura nas regiões subdesenvolvidas e afastadas dos centros urbanos, juntamente com os provedores de serviços de internet para expandir cobertura para estas regiões. Ademais o estado, por intermédio das escolas e instituições públicas deve criar políticas de ensino digital gratuitas, divulgadas pela mídia, para pessoas de todas as faixas etárias. O poder público deve criar programas de geração de emprego e renda, como a qualificação técnica, para que as pessoas tenham condições financeiras de adquirir os serviços e aparelhos eletrônicos, melhorando sua condição de vida e de sua família.