O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 04/07/2020

O filme Macunaíma, lançado em 1969 e inspirado na obra homônima do autor Mário de Andrade, de 1928, mostra um pouco da realidade da população do norte brasileiro naquela época, na qual as pessoas mal tinham acesso à água e energia elétrica. Fora da ficção, pode-se relacionar essa problemática com a falta de acesso à internet no Brasil, uma vez que, seja pela desigualdade financeira ou pelo alto custo de implementação fora dos grandes centros urbanos, faz-se substancial a mudança desse quadro.

A princípio, é importante ressaltar que mais de 63 milhões de brasileiros não contam com acesso à internet, segundo dados de uma pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso é devido a uma crescente desigualdade socioeconômica, pois muitos brasileiros recebem apenas o mínimo para sobreviver, dando prioridade para itens essenciais, como água e comida, deixando, por exemplo, de adquirir pacotes de internet.

Paralelo a isso, a implementação de infraestruturas que possibilitem o acesso à internet fora dos grandes centros urbanos esbarra em fatores como o alto custo, sobretudo em áreas rurais, o que dificulta ainda mais a inclusão digital de milhões de brasileiros. Com isso, uma grande parcela da população deixa de usufruir de serviços como a educação à distância. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 também pelo IBGE, no interior do país, o índice de pessoas sem acesso chega a 53,5%, uma vez que em cidades, a média é de 20,6%.

Torna-se, evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do governo, juntamente às empresas, tornarem mais viável a implementação de infraestruturas de acesso à internet em áreas carentes, ao reduzirem os impostos e consequentemente os preços de produtos eletrônicos e pacotes de dados, de modo a melhorar e democratizar o acesso às redes. Somente assim, o problema será solucionado.