O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 05/07/2020

Com a situação atual de quarentena e isolamento social, ressurgiu uma questão muito importante: o acesso à internet no Brasil. Em um momento em que os estudantes não podem sair de casa e são obrigados a continuar os estudos em plataformas virtuais, faz-se evidente que o uso de internet seja essencial. Mas em um país onde 42% dos lares não possuem esse recurso, a atitude tomada pelo governo traz à tona questões de desigualdades sociais.

Em alguns lugares do Brasil, o serviço não está disponível, tornando impossível que os cidadãos contratem pacotes de internet. A exemplo do Norte do país, onde 13,8% dos que não acessam não possuem acesso ao serviço, de acordo com uma pesquisa de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC). Esse número vira 12% quando se fala das áreas rurais, contra 1,2% das áreas urbanas. Ademais, os custos de contratar um serviço de internet e de adquirir sistemas como celulares ou computares são altos. 11,8% das pessoas afirmam que o serviço é caro, enquanto 5,7% dizem o mesmo dos equipamentos. Outrossim, o rendimento médio por pessoa das casas com acesso à internet é de quase o dobro das que não têm, sendo R$1,769 e R$940, respectivamente.

Os celulares se tornaram populares ferramentas do dia a dia da maior parte da população brasileira. Por conseguinte, faz-se evidente que o uso da rede por banda larga móvel através do celular é maior que por banda larga fixa por computadores, por exemplo. De acordo com o IBGE, os números são, respectivamente, 26,7% contra 21,2%. A Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) diga que 97% da população já possui 4G, e embora possa parecer uma evolução, a conexão não é necessariamente boa e não quer dizer que cubra o município inteiro. Além disso, ainda existem cidades que o máximo que os cidadãos têm é 2G, composta por uma conexão fraca demais.

Em vista dos argumentos apresentados, pode-se observar que a desigualdade de acesso à tecnologia ainda é grande. Na situação atual de quarentena em que os alunos dependem dessa conexão para darem continuidade aos estudos, entende-se que algo precisa ser feito. Para a resolução dessa problemática, cabe às grandes operadoras levar a conexão de banda larga tanto fixa quanto móvel aos lugares que ainda não a possuem, priorizando o Norte e as áreas rurais.