O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 05/07/2020
Na atual situação de isolamento social devido à pandemia do COVID-19, foi-se adotado um novo método de educação: o EaD (Ensino à Distância), no qual são organizados e oferecidos atividades e conteúdo escolar voltados para alunos de todos os anos da educação básica —com exceção da creche à pré-escola. Entretanto, apesar dos recursos oferecidos serem os melhores possíveis no momento em questão, é utópico pensar que este material chega a todos os alunos igualmente devido a dificuldade do acesso à internet por grande parte da população.
Primeiramente, cerca de 42% da população brasileira não tem acesso ao computador, tornando-se muito difícil o alcance ao conteúdo disponível pelas escolas. Em outros casos, mesmo que seja possível o acesso ao computador, pode ser que a internet adquirida não seja tão boa para acessar a plataforma escolar. “Muitas famílias não têm sequer televisão em casa, imagina ter uma boa internet”, argumenta Rosilene Corrêa Lima, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE). Este fator torna-se um agravante da desigualdade social do país, propagando ainda mais a exclusão daqueles que não possuem essas condições. Em segundo lugar, não são todas as escolas que apresentam infraestrutura adequada para efetuar a EaD: muitas escolas públicas, por exemplo, apresentam carência de condições para desenvolver plataformas online de socialização do conteúdo, ou professores com formação adequada para trabalhar com esta nova modalidade.
Além disso, outro fator problema da educação à distância é o fato dessa modalidade exigir maior autonomia e responsabilidade dos alunos. Muitos deles sofrem grande dificuldade em estar em sintonia com o professor e colocar as obrigações escolares como preferência em relação a outras atividades de tão fácil acesso quando não existe a constante observação do professor, como antes ocorria nas aulas presenciais. Isto somado ainda com a grande ansiedade de enfrentar este momento de preocupação mundial, necessitando ainda mais de apoio mental e emocional.
Em virtude dos fatos apresentados, é necessário que, neste momento, o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, direcione recursos para investimento na educação, em virtude da nova modalidade de ensino, promovendo, assim, uma educação de qualidade e que possa abranger a todos os alunos de forma igualitária, com o objetivo de diminuir as desigualdades quanto à obtenção do ensino. Ademais, é de extrema importância que os professores e outros membros do conselho escolar ofereçam apoio educacional e emocional aos alunos quando se fizer necessário, trabalhando para evitar que o mesmo sinta-se sobrecarregado e desmotivado, agindo, assim, para que seja possível garantir uma educação de qualidade, mesmo que seja de forma diferente da usual.