O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 04/07/2020

O filme “Elysium” retrata de maneira cinematógrafica a desigualdade quanto a distribuição de recursos tecnológicos. A realidade, contudo, não se difere do meio ficcional, uma vez que a obra aborda pontos de extrema veracidade, como a concentração de ferramentas digitais nas mãos de uma pequena parcela da sociedade e a exclusão daqueles que não possuem condições financeiras para acompanhar o desempenho dos que usufruem desse privilégio, o que configura uma problemática de cunho social.

De acordo com uma pesquisa realizada pela TIC Educação (Tecnologias de informação e comunicação) apenas 14% das escolas públicas possuem um ambiente ou plataforma de ensino à distância, fato que corrobora a ideia de que a democratização ao acesso à internet no país está em falta, principalmente quando o atual cenário da pandemia COVID-19 é levado em consideração. Visto isso, depreende-se que as estruturas das instituições públicas não se encontraram preparadas para dar suporte aos estudantes e nem mesmo esses, em geral, exibem equipamentos necessários para manter contínuas aulas remotas, o que, por consequência, acaba prejudicando o currículo acadêmico destes.

Outrossim a ser abordado é a concentração de ferramentas tecnológicas nas mãos dos mais abastados economicamente, enquanto os mais pobres sofrem com a ausência de tais recursos, ainda que a Declaração dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, alegue que todos são iguais perante a lei. Evidencia-se, então, que a internet é um fator socioeconômico capaz demarcar as desigualdades referentes as oportunidades oferecidas aos mais diversos grupos populacionais, o que acaba por exibir não só os problemas enfrentados atualmente como também os que virão a seguir, já que por existir tamanha diferença na distribuição de recursos, ocorrerá um grande abismo entre os conhecimentos técnicos das distintas pessoas que compõe a sociedade brasileira.

Em detrimento aos argumentos apresentados, vê-se a necessidade de que o Ministério da Educação formule, juntamente aos 26 estados nacionais e o Distrito Federal, planos para por em prática investimentos financeiros  destinados as redes públicas de ensino, com o claro intuito de melhorar a infraestrutura das instituições, para que assim as mesmas consigam oferecer o devido suporte técnico aos seus docentes. Além disso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, auxiliar o processo citado, por meio da distribuição de seus conhecimentos relacionados a área para a população em geral, garantindo-se, dessa forma, a democratização ao aprendizado digital e a equiparação ao acesso a ferramentas tecnológicas das escolas públicas e privadas.