O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 03/07/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Porém, no atual cenário pandêmico, o descaso com a falta do acesso à internet  torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse prisma, seja pela negligência governamental, seja pelo alto custo das ferramentas que envolvem a utilização da rede, o problema permanece afetando parte da população e exige uma reflexão urgente.

É válido ressaltar, a princípio, que, embora o uso da internet esteja em crescimento na atualidade, não são todos que conseguem usufruir dessa tecnologia. Isso se deve, principalmente, pela intensa desigualdade social existente, devido a má gestão e distribuição de renda no território nacional. De acordo com o IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros não tem acesso à internet, e, apesar de ser um valor menor do que o registrado no ano anterior, é um número exorbitante nessa situação de pandemia, já que a única forma de manter uma qualidade educacional é por meio da internet.

Somado a isso, é evidente que muitas pessoas não tem condições de pagar pela internet e pelos dispositivos necessários para acessá-la. Hodiernamente, o custo para a obtenção da banda larga necessária para o acesso à internet é elevado, e muitos indivíduos não conseguem pagar por isso e, ao mesmo tempo, por recursos básicos para sobrevivência, como alimentação e água. Ademais, mais de 40% dos brasileiros não tem computadores em casa, e, consequentemente,não conseguem acompanhar o processo de educação imposto pelas escolas nesse tempo de pandemia, que é online, comprovando que a situação requer melhorias.

Portanto,o governo deve ampliar o acesso da parcela estudantil à internet, por meio da realização de parcerias com empresas privadas para tornar o preço das tarifas mais acessíveis, além da distribuição de chips pré-pagos para as pessoas que não têm boas condições financeiras, com o intuito de diminuir as desigualdades de acesso à essa tecnologia. Apenas assim, notar-se-á um Brasil mais próximo do imaginado por Policarpo Quaresma.