O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 04/07/2020
O livro O cidadão de papel, de Gilberto Dimenstein, propõe retirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas sociais que afligem o Brasil, como por exemplo a intensificação da desigualdade social devido ao acesso à internet desigual no país. Nesse sentido, faz-se necessário entender que isso é fruto dos elevados custos associados à obtenção desse recurso e a sua falta traz diversas consequências negativas para aqueles que não o possuem. Portanto, uma reflexão urgente é necessária em prol da resolução desse problema.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que, segundo o IBGE, a renda média dos domicílios onde não há acesso a rede o gira em torno de 940 reais, enquanto em lares com conexão a média desse valor se aproxima dos 1800 reais. Em virtude disso, se tratando de um serviço que custa 10% do salário mínimo brasileiro, famílias carentes muitas vezes não veem a aquisição de um plano de internet como algo essencial para as suas vidas.
Em segundo lugar, é importante também discutir acerca dos problemas que surgem por causa da falta de conexão com a web, principalmente durante tempos de ensino à distância. Um estudo realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, o Cetic, mostra que entre os alunos mais pobres 59% não conseguem navegar na rede. Graças a isso, muitos deles sofrem com a falta de material adequado para o aprendizado e perdem conteúdos essenciais para seu progresso escolar, dificultando ainda mais sua vida durante e após a pandemia que assola a população brasileira.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para combater a desigualdade social no Brasil. Posto isso, o Ministério da Educação, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, deve disponibilizar planos de internet gratuita para estudantes desfavorecidos, por meio da não cobrança de franquia caso o aulista já possua um ou cedendo um chip para prover a navegação, na própria instituição de ensino dele, para assim permitir que o educando não seja prejudicado em seus estudos e possa ter a mesma oportunidade que os demais alunos durante essa epidemia de coronavírus. Dessa forma, mais brasileiros terão a possibilidade de acesso à internet e, finalmente, a isonomia será garantida nesse contexto, reduzindo a desigualdade entre a população.