O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 01/07/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a falta de acesso à internet no Brasil torna o país cada vez mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela ineficiência governamental, seja pela desigualdade social, o problema toma proporções cada vez maiores e merece uma reflexão urgente.

Em primeira análise, é fulcral salientar que o filosofo Rousseau afirma que o Estado se responsabiliza pelo estabelecimento de condições básicas à sociedade ao promover, por conseguinte, o bem-estar do âmbito populacional. Contudo, a perspectiva defendida pelo intelectual não se concretiza na realidade hodierna, haja vista a indiligência governamental em viabilizar a democratização do acesso a internet. Nesse ínterim, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações não promove essa espécie de política pública, e, portanto, não efetiva o bem estar social como dito pelo filósofo. Logo, percebe-se que esta negligência estatal representa uma das causas do problema.

Ademais, vale ressaltar que a precariedade do acesso a internet no Brasil é um resultado dos altos índices de desigualdade social. Nesse sentido, de acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), observa-se que os usuários mais frequentes são os que têm maior renda, escolaridade, entre outras características socioeconômicas, então, existe uma estrutura de reprodução de desigualdades no mundo virtual. Sob esse prisma, durante a pandemia que se vive no contexto atual, as pessoas podem trabalhar remotamente, comunicar-se usando videoconferência, vender produtos e buscar educação, mas a única opção para aqueles que não têm alcance a tudo isso online é sair de casa quando não é seguro, e assim, aceitar o risco de ser contaminado, agravando ainda mais a situação.

Por fim, medidas devem ser tomadas para resolver tal impasse, levando-se em consideração as questões abordadas. Posto isso, cabe ao Governo Federal – órgão responsável pelo bem-estar da população – elaborar um plano nacional de incentivo à democratização da conexão tecnológica, de modo a implementar ações como promover cursos de aprendizado as novas tecnologias, realizados nos contraturnos das escolas públicas para toda população local, além de criar pontos de conexão comunitária em áreas menos favorecidas, a fim dar conhecimento e acesso básico aos que não possuem meios para tal. Isso pode ser feito por intermédio de uma associação entre prefeituras municipais, governadores e entidades federais, haja vista esse fenômeno envolver todos os âmbitos administrativos, para que assim, seja possível alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.