O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 03/07/2020
“A desigualdade dos direitos é a primeira condição para que haja direitos”. A frase de Nietzsche remete à problemática presente no acesso à internet em questão no Brasil uma vez que expõe sobre a desigualdade presente nos direitos de uma mesma população, visando seus efeitos. O território brasileiro possui uma evidente diferença quando se trata da realidade populacional, sendo dividido em uma minoria privilegiada e uma maioria vivendo em circunstâncias inferiores ou até mesmo precárias. Diante disso, a falta de acesso à internet resulta em prejuízos como a falta de acesso à informações e impactos no mercado de trabalho.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a consequência da falta de acesso à informação presente na questão. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que cerca de 30% da população brasileira não possui acesso à internet, totalizando uma média de 63,5 milhões de brasileiros. Contudo, essa realidade desencadeia em uma parte da população que não possui acesso a informações hodiernas, gerando consequentemente uma desigualdade quando se trata de oportunidades, sejam profissionais ou educacionais, tendo em vista que o meio digital é rico em informações e muito utilizado. Logo, o desequilíbrio resultante do acesso à internet resulta em prejuízos graves à população menos favorecida.
Outrossim, é importante salientar os impactos que a falta de acesso à internet causa em meio ao ramo profissional. De acordo com dados apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 25% das pessoas de baixa renda entre 18 e 24 anos conseguiram uma colocação no mercado de trabalho, enquanto 57% estão desempregados há mais de um ano. Isso mostra que, pessoas mais necessitadas financeiramente enfrentam maiores obstáculos na hora de ingressar no meio profissional pela falta de informação e qualificação oferecida pela internet, diferente de pessoas conectadas que possuem o benefício do conhecimento digital. Sendo assim, a relação dos inúmeros impactos diretos e indiretos sobre a falta de acesso à internet é uma realidade a se encarar.
Em suma, algumas medidas devem ser tomadas a fim de amenizar esta problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações juntamente com o Ministério da Educação, implantar políticas públicas capazes de incluir a parte menos favorecida da população por meio de acesso a locais com equipamentos tecnológicos e internet para que sejam utilizados em proveito de informações e conhecimento, adequando a população à uma realidade mais justa. Desse modo, se espera que o acesso à internet seja menos prejudicial visando a educação e oportunidades de todos os brasileiros, para que assim talvez possamos seguir um exemplo diferente de Nietzsche.