O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 04/07/2020

Diante das grandes questões que assolam o século XXI, merece destaque os desafios do acesso à internet no Brasil, que se trata de um país em que as desigualdades sociais se fazem constantemente presentes. Nesse contexto, é inegável que o Brasil apresenta um cenário heterogêneo em relação à esse tema, visto que há cidades que não possuem nem saneamento básico, muito menos acesso à tecnologias; além da atual crise do coronavírus, que agravou essas desigualdades, por conta da necessidade do Ensino a Distância (EaD). Sendo assim, é imperante um olhar crítico sobre essa realidade, a fim de propor medidas para solucioná-la, visando uma maior inclusão digital.

Primeiramente, é válido falar que, mesmo em um mundo globalizado, com a existência de uma “aldeia global” conectada nas redes, ainda existem muitas pessoas que não estão incluídas nesse contexto. Prova disso, são os dados de um estudo feito pela União Internacional das Telecomunicações, que mostram que quase 4 bilhões de pessoas no mundo não tem acesso à internet, o que demonstra o grande abismo social proporcionado pela exclusão digital. Outrossim, o mesmo estudo mostrou que a internet do Brasil é a mais cara e lenta do mundo, evidenciando o motivo da dificuldade do acesso à internet, sendo que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 25% da população vive abaixo da linha da pobreza e que mais da metade dos trabalhadores tem renda inferior a um salário mínimo.

Desse modo, é visível que a fama do Brasil em ser um dos países mais desiguais do mundo tem grande impacto sobre o acesso à internet. Paralelo a isso, a educação também é uma das afetadas com base nessa realidade, e que agora está ainda mais evidente por conta do EaD, aposta de muitas escolas para ensino no meio dessa pandemia. No entanto, essa proposta para educação pública ignora que 42% das casas não tem computador, segundo dados do Centro Regional de Estudos, não possuindo meios para se integrar nessa realidade. Ademais, também é importante falar que nesse ano o ENEM teve que ter sua data modificada por conta do coronavírus, já que muitos estudantes não tem condições de estudar em casa, e sem acesso à internet. A enquete digital para a escolha da data teve participação apenas de 19,3% do total de inscritos no ENEM, comprovando a desigualdade no quesito do uso das tecnologias.

À luz desses fatos, portanto, é necessário que sejam criadas medidas para resolver essa problemática. Para isso, o Ministério das Tecnologias deve melhorar a qualidade da internet e diminuir o seu preço, a fim de uma democratização digital. O Ministério da Educação, por sua vez, deve investir na educação tecnológica nas escolas, adequando as infraestruturas, e fornecendo todos os materiais necessários para os alunos que precisam estudar em casa nesse momento e não possuem acesso à internet. Espera-se, assim, um futuro onde a inclusão digital seja uma realidade pelo mundo, diminuindo as desigualdades.