O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 03/07/2020
A Exclusão (Não) É Só Digital
Informação. Conhecimento. Lazer. Comunicação. Esses são exemplos do benefício iminente do uso da internet na sociedade contemporânea. A partir desses princípios, é possível afirmar que há equidade quando parte da população não tem acesso a esse bem? O cenário da exclusão digital não só enfatiza as desigualdades como também tende a resultar em dificuldades para o avanço social e, principalmente, o descumprimento da Declaração dos Direitos Humanos, que prevê o direito ao Eixo Social.
Segundo dados do IBGE, contatou-se que em 2020 cerca de 30% da população não possui conexão com a internet. Além disso, a migração tardia dos meios digitais como ferramenta de trabalho e aprendizagem no setor formal revela que os brasileiros não tem familiaridade suficiente com a tecnologia, uma vez que essa é quase elitizada e distribuída de froma desigua, visto que pesquisas da Akami apontam que em relação a acessibilidade, velocidade e infraestrutura, o Brasil apresenta baixa performance nos rankings mundiais
Ademais, é sabido que durante o período de quarentena no Brasil, a solução proposta pelo Estado para a não interferência no calendário escolar faz uso de estratégias online de retomada de aulas. Dessa forma, é perceptível que não há preocupação com a acentuação das desigualdades, já que a parte já privilegiada da população será presenteada com os direitos mais básicos enquanto a população precária não recebe nem isso.
Portanto, é dever da Cetic em parceria com a Anatel certificar-se de que todas as regiões do Brasil recebam acesso à internet de qualidade por meio da checagem e levantamento de dados semestrais e estudos sobre a melhoria da qualidade do serviço a fim de diminuir a exclusão digital no Brasil. Além disso, cabe a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) iniciar o processo de inclusão do Ead nos meios de aprendizagem por meio da adoção de medidas inclusivas e estudo sobre a didática digital com o propósito de diversificar as formas de ensino atuais.