O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 04/07/2020

Em 1970, século XX, a Revolução Técnico-Científica ganhava destaque no mundo contemporâneo, formando os primeiros traços da internet. Com o passar dos anos, o advento da ferramenta contribuiu para que grande parte dos segmentos sociais usufruíssem dos privilégios que o mecanismo proporcionou, como a facilidade nas trocas informacionais. Contudo, a inclusão digital não atendeu à nação em todos os setores, excluindo, principalmente, as classes de baixa renda. Dessa forma, há um paralelismo entre a falta do recurso e as dificuldades enfrentadas por esses grupos, limitando o ensino remoto e aumentando a curva das desigualdades sociais.

Em primeiro plano, infere aludir à perspectiva do empresário Steve Jobs, o qual afirmava que a tecnologia move o mundo. Sob essa ótica, é possível contrapor o cenário brasileiro, uma vez que a internet, interligada diretamente à tecnologia, não move todas as parcelas sociais de forma igualitária. O Brasil apresenta um quadro heterogêneo, com regiões em que o índice de inclusão digital é elevado, mas, em contraste, há áreas em que não se têm saneamento básico nem fornecimento de energia elétrica. Com isso, sem uma base sólida, a implementação da internet, que demanda maior investimento e infraestrutura, fica defasada, corroborando as disparidades e inibindo o acesso a educação remota em tempos de EaD.

À luz desse debate, a educação - máquina socializadora do estado - não consegue exercer o total cumprimento das atividades requeridas pela ensino à distância, causando déficit na formação social e intelectual dos indivíduos e atrasando a conclusão dos ensinos fundamentais e superiores. Além disso, não oportuniza os mesmos direitos à sociedade de forma geral, indo contra os ideais da meritocracia e reafirmando teses, como as de Karl Marx e os privilégios concedidos à burguesia. Sendo assim, os conhecimentos básicos não são repassados a todos os nichos, o que induz um retrocesso cultural.

Medidas, portanto, são necessárias para minimizar o impasse. Logo, cabe à Anatel, a tarefa de minimizar as burocracias contidas na democratização da internet, por meio de leis aprovadas pela Câmara dos Deputados que autorizem a instalação em áreas periféricas por preços menores, negociando pacotes de dados acessíveis e proporcionais as rendas locais, à vista de garantir a homogeneidade e solidificar o acesso às informações. Ademais, compete às Câmaras Municipais, o dever de melhorar a infraestrutura dos espaços carentes, por intermédio de programas de base que fiscalizem condições mínimas de sobrevivência, intervindo sempre que necessário, com o fito de proporcionar locais que sejam capazes de atender as necessidades da população. Assim, espera-se que o pensamento de Jobs seja efetivo em todos os níveis, movendo evoluções.