O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 04/07/2020
No Brasil, comemoramos quase três décadas de uma série de avanços importantes no que refere ao acesso a internet. No ano de 1991 o país caminhava para os primeiros ensaios de conexões a incipiente internet: a entre redes, a chamada “rede das redes de computadores”. Nesse período o privilégio de poder trocar mensagens eletrônicas era para poucos, sendo de forma muito restrita para universidades e centros de pesquisas.
Hoje, o acesso se tornou universal no país, mas é importante consideramos de que a forma esse acesso é adquirido pela população brasileira, pois muito embora o acesso atualmente tenha se expandido, não podemos afirmar que ele é igualitário. Apesar da expansão, mais de 70% das propriedades rurais no Brasil não tem acesso á internet. Segundo dados do IBGE (2020), falta de conexão em 3,6 milhões de fazendas do país, prejudica o uso de novas tecnologias em um dos principais setores da economia. De acordo ainda com a pesquisa TIC Domicílios 2018, apontou as desigualdades entre áreas rurais e urbanas. O percentual de moradores de áreas rurais que não utilizam a internet porque o serviço não está disponível é 12%, dez vezes maior que a da área urbana, 1,2%.
Desde que as aulas presenciais foram suspensas, por causa da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), as redes de ensino buscam alternativas de educação remota. As pesquisas realizadas com alunos mostram que há vários obstáculos para esse tipo ensino adotados, principalmente pelas limitações de acesso a tecnologias. Longe das salas de aulas, os alunos do ensino médio nas redes de educação pública e privada enfrentam distintas dificuldades, contudo, compartilham frustrações rumo a uma vaga no ensino superior. A princípio, apenas alguns meses separam os estudantes e as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mesmo sem uma previsão que as aulas retornem o Ministério da Educação (MEC), até o momento, garante que o Enem será realizado.
Assim, uma alternativa que pode ser ampliada no Brasil é o compartilhamento de redes e espectro para atendimento das metas de cobertura banda largo móvel nas áreas rurais. Isso implicaria em realizar uma licitação de espectro sem viés arrecadatório, voltada principalmente para o aumento da oferta de serviços em regiões menos atrativas do ponto de vista do retorno sobre o investimento. Os desafios enfrentados pelos estudantes podem ser amenizados, com a ampliação de projetos que visam à transmissão de aulas em canal estatal, pela adoção de materiais didáticos impressos e distribuídos aos alunos e que haja mais uma revisão no calendário da aplicação do Enem para evitar prejuízos para os alunos.