O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 04/07/2020
Como disse o sociólogo Manuel Castells, “A Internet é o tecido de nossas vidas. Se a tecnologia da informação é hoje o que a eletricidade foi na Era Industrial, em nossa época a Internet poderia ser equiparada tanto a uma rede elétrica quanto ao motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação por todo o domínio da atividade humana.” A partir dessa análise, torna-se clara a importância dessa ferramenta no mundo globalizado, entretanto o Brasil enfrenta um impasse na promoção do acesso à internet que se apresenta na disparidade entre o campo e a cidade e o analfabetismo digital, por exemplo.
Primeiramente, é importante elucidar, que a disparidade do acesso à internet entre as áreas rurais e as áreas urbanas acontece pelo abandono governamental o qual aquelas sofrem em relação a estas, as quais têm o direito garantido, pois são onde se concentram as indústrias, empresas de telecomunicação e maiores investimentos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoa que dizem não ter acesso à rede na cidade é de apenas 1% enquanto no campo é de 21%. Dessa forma, a desigualdade entre essas regiões se reafirma. Apresentando-se na forma de exclusão da população campesina.
Além disso, é importante destacar, que o analfabetismo digital, conceito que define a desinformação de um indivíduo quanto ao uso de tecnologias, é vivenciado por parte da população a qual não está integrada nesse novo meio de comunicação, como os idosos. Existe um preconceito intrínseco para com esses cidadãos, os quais muitas vezes são vistos pelos familiares como incapazes de utilizar esses meios por não terem nascido na Era Digital. O que acaba privando-os de viver a ampliação dos direitos civís, sociais e políticos que o advento da internet possibilitou. Logo, cria-se uma incoerência com o Art. 30. do Estatuto do Idoso que garante a realização dos direitos supracitados, pela família e Estado brasileiro.
Destarte, torna-se evidente a necessidade de ações que diminuam essa desigualdade existente. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTI) deve criar um projeto, com metas pré-determinadas, de levar internet para as áreas mais remotas do país, através de parcerias com o setor privado de operadaras de telecom, com objetivo de provê-la para a população rural. Ademais, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) deve promover propagandas que conscientizem toda população brasileira sobre a importância da inclusão digital dos idosos e o papel fundamental que a família desempenha nesse processo. Só dessa maneira, a rede será integrada e imprescindível na vida de todos os cidadãos da nação, assim como mencionado por Castells.