O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 05/07/2020

Durante o período da Idade Média, a igreja detinha o monopólio do saber, uma vez que determinava os conhecimentos a serem repassados para a maioria camponesa, de modo a propagar os valores religiosos e restringir assim, o acesso informacional. De maneira semelhante, na atual sociedade brasileira, observa-se o mesmo panorama de restrição, uma vez que o acesso à internet é amplamente desigual e constitui grave falha social. Nessa realidade, amplia as divergências na educação pública do País e fomenta a exclusão digital em comunidades isoladas.

Em primeiro lugar, é válido ponderar a baixa introdução das instituições de ensino público nos meios digitais, os quais no atual cenário provocado pela pandemia do novo coronavírus - CODIV-19, converteram-se nos principais meios de acesso ao conhecimento secular. Todavia, observa-se notável despreparo para o estabelecimento ao aprendizado a distância, uma vez que as escolas não contam com infra-estrutura adequada para transmissão das aulas, e a realidade do alunado carece dos recursos tecnológicos necessários para o acesso as interfaces “web”. Nessa realidade, retoma-se o cenário restritivo vivenciado na  “Idade das Trevas”, mas que aos moldes brasileiros, é caracterizado pela limitação do acesso ao conhecimento pela insuficiência da internet. Faz-se necessário portanto, a quebra de tais disparidades pelo fomento a mecanismos tecnológicos de apoio aos estudantes.

Sob segunda ótica, a difusão da banda larga encontra nas comunidades de zonais rurais um de seus maiores obstáculos, sobretudo devido ao descaso governamental. Nessa lógica, John Locke, em sua Teoria do Contrato Social, afirma que a sociedade admite sua submissão à administração estatal, na medida em que esse deve garantir o cumprimento de seus direitos. Contudo, o princípio do pleno acesso à rede mundial, defendido pela Carta Magna, é quebrado mediante a falta de investimentos estatais em instrumentos de conexão e em métodos de preparação da comunidade para a utilização desses. Tal realidade perpetua a exclusão digital e favorece a desigualdade social no País, o que elucida a instituição de alternativas que restituam o acordo entre sociedade-Estado.

Face a esse contexto, medidas de caráter emergencial devem ser tomadas. Nessa perspectiva, urge que o Ministério da Educação (MEC) em parcerias com provedores de internet privados, invista em melhorias tecnológicas nas instituições públicas por meio da contratação de pacotes maiores de banda larga e da disponibilização de “notebooks” aos estudantes, com o fito de fornecer suporte e estrutura ao ensino online. Ademais, cursos gratuitos de capacitação tecnológica devem ser amplamente disponibilizados a população em geral em prol da inclusão digital. Somente assim, será possível erradicar a herança medieval da restrição ao saber na era informacional.