O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 07/07/2020

Na cena inicial da produção cinematográfica sul-coreana “Parasita”, é apresentado a família pobre e desempregada dos protagonistas, onde eles estariam procurando pontos de acesso a Internet  de outras pessoas, dentro de sua pequena casa. Dessa forma, é possível estabelecer uma análise clara sobre quais classes sociais que conseguem obter esse tipo de serviço, e, devido a tamanha desigualdade, o acesso torna-se cada vez mais excludente e inacessível para a maioria das pessoas.

Portanto, torna-se urgente e necessário o debate acerca da problemática, concebida como subproduto da negligência estatal e estrutura desigual e explorada da sociedade.

Em uma primeira análise, é visto que a ausência do funcionamento do Estado como órgão para promover o bem-estar social, fomenta tal panorama, já que as injustiças e desigualdades são reforçadas devido a um baixo interessa de acessibilidade pública, e como consequência  disso, o mau funcionamento desse elemento promove privilégios, rebaixa direitos e imparcialidade.

“Não há como a força do Estado para garantir a liberdade dos seus membros”, a frase dita pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau demonstra que o papel do Estado é respeitar a liberdade e consequentemente dar oportunidades mais igualitárias, contudo, a falha da administração consegue desencadear falhas graves na estrutura social, ampliando a desigualdade e fazendo acessos acerca desse tipo de serviço, cada vez mais elitistas. Assim, é perceptível toda a situação problema criada entorno da função estatal e as consequências de sua negligência.

Deste modo, uma estrutura desigual tem o poderio da influência dentro de uma sociedade, criando classes sociais e delimitando suas funções, cada vez mais distantes umas das outras. Devido a uma exploração trabalhista sobre os menos capacitados dentro do espectro educacional, é possível entender que a opressão e exploração ocorre em detrimento do lucro, o filósofo alemão Karl Marx, definiria esse conceito como “mais-valia”, onde o proletário pobre que produziu aquele produto, recebe um quantia ínfima em relação ao que o patrão receberá. Desse modo, a exploração dos trabalhadores tem como configuração um salário baixo e direitos mínimos, assim, dificultando a vida do trabalhador e seu acesso a serviços como Internet. Desta maneira, é entendível que a exploração por entremeio do trabalho, pode desfavorecer o trabalhador e permitir que a acessibilidade seja mais difícil.

Em suma, é obrigatório que o Estado - configurado como ministério da educação e como ministério da tecnologia - crie programas de acessibilidade de Internet pública, como a criação de uma empresa estatal que forneça Wi-Fi, para que a população tenha mais acesso a este recurso. Além disso, medidas econômicas como a regulação e barateamento desse serviço podem ser tomadas.