O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/07/2020

Malgrado o terrível morticínio que provocou, o surto de covid-19 permitiu um valoroso efeito de lupa sobre os inúmeros problemas do Brasil. Assim, sob a ótica da desigualdade, uma questão até então pouco discutida, chama a atenção: o acesso à internet no Brasil. Sob essa perspectiva, o baixo desenvolvimento tecnológico do país, aliado ao seu ineficaz investimento estatal em medidas de inclusão digital, são os principais causadores da marginalização digital.

Nessa sentido, no que se refere à infraestrutura de transmissão de dados, seja em extensão, seja em qualidade, o Brasil encontra-se a uma distância significativamente ruim da Europa e do Japão, por exemplo. Nesse contexto, enquanto que apenas 4% da população europeia, de 15 a 24 anos, não tem acesso à internet, no Brasil, segundo o Uol, cerca de 40% dos lares não possuem computador. Além disso, a velocidade da conexão brasileira, no melhor dos casos, chega a ser dez vezes menor do que a disponível para os japoneses.

Já no espectro político-administrativo, a negligência do Governo brasileiro para com a inclusão digital contribui para o atraso do país ante o mundo globalizado. Sob essa ótica, o exemplo mais recente desta triste realidade é a ideia estatal de, devido à crise sanitária causada pela covid-19, dar continuidade ao ano letivo de 2020 através do ensino à distância, sem que haja a mínima preocupação para com aqueles os quais, numa hipótese otimista, possuem uma conexão à internet limitada ao acesso a textos.

Sendo assim, tendo em vista a importância do acesso à internet para a plena integração do indivíduo na sociedade contemporânea, urge ao Governo, através dos ministério da Economia e da Ciência e Tecnologia, adotar medidas que visem o apoio aos provedores de internet nacionais e o estímulo à vinda de empresas estrangeiras de tecnologia, tal como sugerido pela Unicef. Essas ações, uma vez que promovem uma maior disponibilidade do recurso em território nacional, permitiria uma diminuição dos seus custos e, portanto, uma maior democratização do mesmo.