O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/07/2020

Na cena inicial da obra sul-coreana “Parasita”, é apresentada a família protagonista do filme, pobres e desempregados, que estavam procurando por pontos de Internet de outras pessoas. Dessa forma, é possível estabelecer uma análise clara sobre quais classes sociais têm esse tipo de serviço e, que devido a tamanha desigualdade no Brasil, o acesso é visto cada vez mais excludente e elistista. Portanto, a problemática permanece na sociedade brasileira, sendo concebida como subproduto da negligência governamental e da estrutura desigual e exploradora do corpo social.

Em uma primeira análise, é visto que o funcionamento do Estado como órgão para promover o bem estar social fomenta tal panorama, já que as injustiças e desigualdades são reforçadas devido a um baixo interesse pela acessibilidade pública e, como consequência, o mau funcionamento desse elemento rebaixa direitos, promove privilégios e imparcialidade. Segundo dados divulgados de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem conexão a Internet. A problemática pode ser ocasionada devido a um baixo interesse dos governos federais e municipais para promover o alcance deste serviço, tornando-o cada vez mais elitizado. Assim, é perceptível toda a situação problema criada entorno da função estatal e as consequências de seu descaso.

Desse modo, uma estrutura desigual tem o poderio da influência dentro de uma sociedade, criando classes sociais e delimitando suas funções, cada vez mais distantes umas das outras. Devido a uma exploração trabalhista sobre os meios capacitados dentro do espectro educaional, é possível entender que a opressão ocorre em detrimento do lucro. O filósofo alemão Karl Marx definiria este conceito como “mais-valia”, onde o funcionário pobre que produziu determinado protudo, recebe uma quantia ínfima quando comparado ao preço de venda do mesmo produto. Portanto, esse tipo de abuso ao proletariado é configurado através de um salário baixo e direitos mínimos, ocasionando dificuldade de acesso e aproveitamento a estes serviços.

Em suma, é imperativo que o Estado - em configuração como ministério da educação e ministério da tecnologia - crie programas de acessibilidade para garantir uma Internet mais pública e democrática, como a criação de empresas estatais relacionadas ao meio tecnologico, promovendo Wi-Fi e produtos para acessar a rede de maneira mais barata, para que a população consiga ter acesso a este recurso e usufrui-lo. Além disto, medidas como a regulamentação do preço da Internet e cursos providos diretamente do governo federal, são medidas que contribuiriam para uma aquisião mais universal.