O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/07/2020

A pandemia do novo Coronavírus afetou não apenas a saúde pública, mas também a educação. Com a impossibilidade do contato entre as pessoas e a interrupção das aulas presenciais, grande parte das escolas e universidades aderiram ao ensino à distância. Entretanto, de acordo com pesquisas de órgãos públicos, 42% dos lares brasileiros não têm acesso à um computador. Mediante esse dado, muitas questões estão sendo levantadas à respeito da desigualdade no ensino e de iniciativas para a democratização da internet.

Com o advento de novas tecnologias, uma parcela  significativa da sociedade permaneceu marginalizada ao acesso à inovações comunicativas. De acordo com uma pesquisa da UNICEF, 60% dos jovens africanos não têm acesso à internet. Tal fato mostra que, apesar da crescente expansão do número de usuários, as classes menos favorecidas ainda não foram incluídas no processo global de digitalização. Para o sociólogo alemão Jurgen Habermas, à medida que a lógica de mercado se expande e se torna o viés comunicativo da sociedade, os pobres padecem cada vez mais em um ostracismo tecnológico, marcado pela ausência de assistencialismo e desigualdade no poder de compra.

Embora o capitalismo neoliberal seja prejudicial sob um certo ponto de vista, o sistema de Livre Mercado também pode ser usado para a democratização digital. Pesquisas da Organização das Nações Unidas mostram que, mesmo em países de baixo IDH, como a Libéria e o Chade, uma boa parcela da população tem acesso à internet. Ou seja, em nações extremamente pobres e fechadas, a livre iniciativa e a inovação tecnológica permitem o acesso à modernos meios de comunicação. Graças à internet, muitas crianças têm seus horizontes de aprendizado ampliados e reais possibilidades de ascensão social.

Em suma, assim como o sistema sócio-econômico vigente cria desigualdade, também confere oportunidades no acesso à tecnologia por pessoas de todas as classes. De modo a erradicar o problema do acesso à internet no Brasil, se faz necessário a instalação de cabos de fibra óptica em regiões periféricas e interioranas, através de parcerias público-privadas entre Governos Estaduais e Startups. Por consequência, uma grande parcela da população terá acesso à conteúdos informativos e será integrada ao mundo digital.