O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 05/08/2020

O filme “O Poço” propala um cenário metafórico, polarizado em “pessoas de cima” e “pessoas de baixo”, onde o primeiro é privilegiado com um banquete, e o segundo se alimenta das sobras. Relacionado à esse quadro, o Brasil lida com a mesma discrepância entre a classe dominante e a classe dominada, posto que a riqueza se concentra em 10% da população. Isso implica dificuldade de acesso à tecnologia, sobretudo, no período de quarentena, em que as escolas estão fechadas e 42% dos estudantes não tem acesso à internet suficientemente boa para plataformas digitais. Sob este viés, é crucial analisar os fatores que causam essa problemática.

Primeiramente, o direito à educação proposto pela Constituição, é acometido pelo sistema de didática a distância que não atende maior parte dos alunos, causando impotência nociva aos mesmos. Logo, deve-se citar o contexto histórico do Brasil, que foi marcado pela exploração que as potências exerceram, deixando como produto, uma nação imersa em desigualdades. Sob esta ótica, a situação é refletida nos desníveis sociais, visto que o governo não é capaz de suprir as necessidades da população, em especial a educação, onde observa-se a falta de recursos necessários para dar continuidade ao ensino. Outrossim, a realidade traduz um regresso na educação on-line.

Ademais, a leviandade da elite acerca dos demais grupos é fonte de impulsionamento para o declínio do ensino; de acordo com a Unicef, 60% dos africanos não tem acesso à internet, à medida que na Europa, a porcentagem é de 4%. De maneira análoga, no Brasil há disparidades no que diz respeito à ricos e pobres; a aristocracia desconhece a falha implícita na meritocracia que prejudica milhões de cidadãos. Portanto, a alta-roda brasileira, incluindo os chefes de estado ignoram ações que poderiam, efetivamente, fomentar a democratização do acesso à educação virtual.

Destarte, é evidente que o acesso à internet em questão no Brasil, não é coerente com o factual presente e causa consequências para o futuro dos jovens. Posto isso, para mitigar a controvérsia, o Governo Federal, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e o Ministério da Educação devem efetivar a educação a distância, por meio da internet gratuita, aparelhos eletrônicos e apoio financeiro aos estudantes, com o fito de garantir o artigo 6º da Carta Magna que consagra esse direito ao público. Dessa forma, o corpo social não se prejudicará ainda mais e caminhará para fora das castas, com um final diferente ao filme “O Poço”.