O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 26/07/2020
Na Idade Média, o conhecimento era de total controle religioso, haja vista que as escolas eram anexas às catedrais católicas, logo, a sociedade era dependente de um único órgão social. Fora da historiografia, a realidade é diferente, principalmente, por conta do advento virtual, o qual revolucionou o ensino e também outras relações sociais, contudo entraves ainda são perceptíveis no processo. Pode-se dizer, então, que não só a ínfima intervenção estatal, mas também a realidade imposta pelo século XXI são os fatores responsáveis pelo cenário descrito.
A priori, é nítida a importância das ações estatais no combate às disparidades sociais instauradas no Brasil, desde o início da sua trajetória republicana. Porém, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,9 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018, tais números representam 25,3% da população territorial. Posto isso, conforme a Sociologia, disciplina que estuda a sociedade atual, o Estado possui um amplo poder de persuasão acerca dos cidadãos, todavia é visível que essa coercividade não está sendo empregada de maneira adequada.
Ademais, é indubitável que o modo de produção atual, o capitalismo, influencia de forma direta no cotidiano dos moradores. Nesse sentido, vale frisar a doutrina imposta por tal modelo econômico, a qual é totalmente vinculada à globalização e, consequentemente, a rede virtual. Dessa forma, as classes menos favorecidas tendem a sofrer consequências catastróficas por conta da contemporaneidade. Prova disso, de acordo com uma das agências da Organização das Nações Unidas (ONU), 60% dos jovens não têm acesso a internet na África, um dos países mais desiguais do mundo.
Dado o exposto, infere-se que reformulações conjunturais são necessárias acerca das diretrizes virtuais. Sendo assim, cabe ao Poder Legislativo, instância máxima na criação de leis isonômicas, dialogar com os órgãos de cada região e instaurar um projeto de cunho igualitário. Esse deve ser executado por meio de parcerias com fornecedoras de banda larga, as quais devem atuar, principalmente, em comunidades carentes. Aquela será feita por intermédio de conversações escritas, assinadas e legitimadas entre instituições públicas, ambas com um único objetivo: democratizar as relações sociais via internet, assim, o Brasil irá de encontro aos parâmetros impostos na Idade Média.