O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 04/08/2020
É indiscutível que a internet mudou a vida da sociedade em diversos aspectos, desde a comunicação, até avanços em áreas como a medicina e a educação. No entanto, devido à desigualdade social e às condições socioeconômicas de grande parte da população brasileira, o alcance desse recurso não é igualitário e por conta dos baixos investimentos do governo, muitas pessoas são prejudicadas diariamente pela falta de acesso à informação, o que acaba aumentando ainda mais a exclusão social. Dessa forma, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Convém ressaltar, a princípio, a situação atual do Brasil em meio a pandemia. Quanto a essse fator, é válido destacar que, com o início da quarentena, as aulas presenciais de escolas e universidades foram suspensas e o ensino EaD começou a ser utilizado como forma de dar continuidade ao ano letivo. Entretanto, o Governo desconsiderou o fato de que nem todo mundo tem acesso à internet, visto que alguns moram em áreas periféricas onde as redes não tem alcance, ou não possuem condições financeiras necessárias para custear tal recurso. Por conseguinte, a falta de informação contribui para o retardamento do combate ao Coronavírus, dado que uma grande parcela da população não tem consciência da importância da prevenção, como o uso de máscaras e álcool em gel.
Por outro lado, é preciso compreender que essa exclusão digital prejudica a cidadania. Isso porque, como disse o filósofo francês “Pierre Lévy”, a sociedade é hiperconectada e, por isso, as informações mais importantes para o dia a dia estão na internet e quando não se tem acesso, o indivíduo fica alheio a tudo o que acontece no mundo. Além disso, muitos espaços, que são de responsabilidade direta de órgãos públicos, não disponibilizam uma conexão gratuita de wifi, como em praças, parques, lojas ou, até mesmo, hospitais. Segundo a pesquisa TIC Saúde 2019, mais de 7 mil Unidades Básica de Saúde (UBSs) não tem acesso à internet, o que prejudica a comunicação e a qualidade dos atendimentos.
É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para aumentar o alcance do recurso em questão. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e inovação fazer investimentos para a ampliação das redes de internet, aumentando a quilometragem das fibras óticas e assim permitir maior acesso à população periférica. Ademais, afim de efetivar a ação, as empresas responsáveis por esse tipo de conexão, devem disponibilizar planos com preços mais baixos, que atendam as condições financeiras dessas comunidades e, em parceria com os Governos Municipais, implantar redes de wifi gratuitas nos principais pontos públicos das cidades. Assim, a transmissão de informações será maior e o problema poderá ser atenuado.