O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/08/2020

A internet surgiu em meados de 1980 para solucionar a necessidade de uma comunicação rápida entre pessoas, atingindo o patamar internacional em 1990 e sendo utilizada para diversos fins, entre eles o comércio, a educação, e o lazer. Entretanto, o acesso à internet no Brasil, embora em crescente expansão, ainda apresenta um cenário de exclusão, sendo um marcador das desigualdades sociais no país. Evidenciado pela falta de informação ao acessar a internet e pelo alto preço dos serviços fornecidos.

Em primeiro lugar, deve-se apresentar a falta de conhecimento das ferramentas da internet como o principal obstáculo dos brasileiros ao acessar essa rede, como divulgado em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa apontou que 41,6% das pessoas que não utilizavam a internet a faziam por falta de informação, evidenciando o escasso conhecimento da população brasileira das ferramentas virtuais, que são cada vez mais necessárias para a ingressão no mercado de trabalho. Esses dados representam o baixo incentivo do Governo Federal em ingressar a população brasileira no mundo tecnológico, propiciando apenas àqueles com maior renda a busca privada das ferramentas da rede e de suas utilizações no cotidiano e no mercado.

Em segundo lugar, o alto preço dos serviços fornecidos também foi apontado pelo IBGE como um dos fatores da falta de acesso a internet, assim como o preço dos aparelhos. Essas informações indicam que das 46 milhões de pessoas sem acesso à internet, a maioria se encaixa neste quadro por baixa renda, como também indicado pela pesquisa de 2018, que demonstra um grande número dos entrevistados sem acesso a internet possuindo renda per capita menor que um salário mínimo. Esse cenário se reflete em outro dado que aponta o celular como o único meio de acesso para 45,5% dos domicílios.

Assim sendo, os dados apresentados apontam um vasto número de brasileiros alheios às tendências internacionais, assim como afastados das oportunidades de lazer e educação que a internet oferece, ambos direitos assegurados pela Constituição Federal. A fim de modificar esse cenário, é necessário que o Estado formule uma parceria entre o Ministério da Ciência e o Ministério da Educação, para integrar e informar a sociedade os conhecimentos necessários para manusear a internet e suas aplicações no mundo hodierno, objetivando a diminuição da desigualdade de acesso à informação, e preparando os brasileiros a participarem de facto do mundo globalizado, atingindo por fim, a função comunicacional da internet.