O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/08/2020

A teoria aristotélica já afirmava, na Grécia antiga, ser o homem um animal político. A pólis, ou ainda, a interação entre humanos, era a protagonista na construção do imaginário social, de forma a possibilitar o desenvolvimento da plena capacidade intelectual humana. Entretanto, verifica-se no Brasil uma barreira que impossibilita o acesso a este espaço público da modernidade: a Internet. Esse contexto promove um cenário patológico que despreza as regiões mais vulneráveis e, com a imparcialidade do Estado, edifica um Brasil contrastante.

Em uma primeira análise, é importante destacar, assim como teorizou o filósofo Warat, a importância de um espaço público na construção de símbolos e de um pensamento uno de uma comunidade. A Internet, através dos tempos, conseguiu reunir todos os aspectos necessários para comportar as características fundamentais desse ambiente. No entanto, a pesquisa nacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Dessa forma, é possível perceber a tamanha barreira que impede não somente o acesso à rede, mas também à informação, ao entretenimento e especialmente às discussões políticas, cujo palco é, frequentemente, a grande rede de computadores. Todos esses elementos criam, portanto, um sentimento de não-pertencimento e, infelizmente, de desigualdade.

Em uma segunda análise, é necessário, de forma a fundamentar-se na teoria contratualista de John Locke, pontuar que o governo peca quando não oferece aparatos legais eficazes para garantir os direitos fundamentais de sua população. Isso porque, ao se omitir perante o problema, o Estado, além de negar os direitos ao lazer e ao conhecimento, também impossibilita a reintegração desse setor social ao contexto moderno. De maneira a provocar uma série de moléstias que agrava as diferenças sociais já existentes e, lamentavelmente, constrói artifícios para a manutenção desse empecilho.

É preciso, portanto, elaborar iniciativas governamentais que, motivadas a atenuar as diferenças e promover o acesso justo à web, sustentem uma reintegração e, com isso, possibilitem um desenvolvimento pleno da mente humana, à luz do pensamento aristotélico e waratiano. Para isso, é de suma importância que o Estado, mediante o Ministério da Cidadania, implemente uma campanha de localização dos grupos sociais não-privilegiados e distribua aparelhos com acesso à Internet. Além disso, seria interessante a realização de parcerias público-privadas, as quais facilitem a instalação de Internet de última geração nas regiões periféricas. Paralelamente, na área midiática, seria importante publicar, nas redes televisivas e nos locais públicos, propagandas que guiem os usuários leigos na exploração desse serviço, para reestruturar a plena vivência e o sentimento de pertencimento à nação.