O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação mostram que 42% das casas brasileiras não têm acesso ao computador. Diante desse fato alarmante, o acesso à internet no Brasil é um problema, visto que quase metade da população não o possui e, nos dias atuais, esse recurso representa a principal fonte de informação divulgada. Dessa forma, em razão da desigualdade social e da irresponsabilidade governamental emerge uma questão complexa, a qual precisa ser revertida.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de compromisso do governo em relação ao cidadão é uma causa latente da problemática. Segundo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, apesar da existência de uma constituição ampla e abrangente, muitos direitos, como o acesso à informação, não são efetivos na prática, o que gera o conceito de “cidadania de papel”. Nessa perspectiva, verifica-se essa irresponsabilidade como um empecilho para a solução do problema.

Além disso, outro ponto a se destacar é o de desigualdade social. Para Karl Marx, filósofo alemão, o indivíduo pode fazer suas escolhas, mas as condições sociais são influenciadas pelas condições econômicas. Sob esse viés, o acesso de determinado grupo social à internet depende de seu poder econômico. Portanto, existem camadas sociais mais baixas cujo acesso a esse recurso é inviável.

Diante do exposto, é necessário que as prefeituras, em parceria com as escolas, democratizem o acesso à internet, por meio da instalação de redes cibernéticas e da disponibilização de um laboratório de informática, a fim de garantir o direito à informação ao cidadão, explicito na Constituição de 1988. Tal acesso deve ser, além de ilimitado, gratuito, e o espaço para computadores precisa ser aberto em períodos de contraturno de aulas. Assim, a partir da consolidação de tais práticas, o Brasil caminhará para ser um país melhor.