O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 17/08/2020
A internet, inicialmente chamada de Arpanet, foi criada em 1969 nos Estados Unidos e possuía unicamente a função de interligar laboratórios de pesquisa. Contudo, hodiernamente, a internet exerce importante papel no cotidiano dos indivíduos, pois é utilizada como meio de comunicação e interação social, porém, seu acesso ainda não é democratizado no país. Nesse viés, o problema se perpetua pela concentração da rede nos centros urbanos e pelo alto preço dos planos de internet.
Primeiramente, é indubitável que as redes em sua maioria se concentram nas áreas urbanas. Isso ocorre por fatores históricos decorrentes da colonização brasileira, em que os bens de consumo eram concentrados nas capitais. Assim, no tocante a dispersão da rede, está seguiu os mesmos passos da colonização, pois não atingem plenamente regiões interioranas e mais afastadas do centros urbanos. De acordo com o IBGE, 70% das propriedades rurais brasileiras não possuem acesso à internet. Nesse aspecto, enquanto medidas de combate a esse cenário não forem tomados pelo governo a ausência de democratização da rede será mantida no seio social.
Ademais, a mercantilização dos planos de internet dificulta o acesso dessa rede pela população menos favorecida financeiramente. De acordo com o geógrafo Milton Santos, na obra “O Espaço do Cidadão”, a pobreza é a principal causa das desigualdades sociais. Nesse contexto, em razão dos caros planos de acesso à rede ofertados pelas empresas operadoras de internet, parcela da população que não dispõem de recursos financeiros para o próprio sustento é impedida de ter acesso ao mundo virtual. Assim, enquanto interesses financeiros se sobreporem a democratização do acesso à rede a população “subcidadã” continuará a ser excluída do direito ao acesso igualitário aos bens de consumo.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas para resolver a problemática. O governo federal, por meio de incentivos fiscais, deve beneficiar empresas operadoras de internet, com o intuito de facilitar que essas empresas difundam os meios de acesso à internet nas regiões interioranas do país, pois está é a parcela social que possui maior dificuldade no acesso à internet, a fim de promover o acesso a rede aos grupos que residem longe dos centros urbanos. Destarte, a democratização do acesso à internet no Brasil ficará mais próxima da realidade dos brasileiros.