O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 14/08/2020
Na obra ficcional “ensaio sobre a cegueira” do escritor José Saramago, enfatiza-se um processo epidemiológico de perda de visão de uma determinada comunidade. É possível compreender essa incapacidade coletiva de enxergar como uma representação metafórica do comportamento social frente aos problemas verificados na realidade. No Brasil, por exemplo, observa-se essa “cegueira” diante da falta de acesso à internet de parte da população, o que compromete sua resolução. Nesse prisma, é importante analisar essa questão no País.
Primeiramente, entende-se que o poder público mostra-se negligente ao permitir essa ausência de acesso à internet que parte da população enfrenta. Isso porque, existe uma deficiência no processo de investimento financeiro, uma vez que, medidas não são tomadas pra minimizar a desigualdade social que infelizmente é tão presente no cenário atual do País. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, demonstrando, dessa forma, a ruptura do Contrato Social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes.
Além disso, destaca-se que aceitar a falta de acesso à internet é banalizar o mal. Pois não é correto que com essa pandemia, os alunos que não possuem condições suficientes pra assistir aula EAD, fiquem sem acesso básico a educação. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. A naturalização desse problema pode ser explicada pelos estudos da filósofa Hannah Arendt, dado que, por meio de um processo de massificação social, os indivíduos estão perdendo o senso critico perante quadros problemáticos.
Convém, portanto, ressaltar que a ausência de acesso a internet deve ser superada. Logo, é necessário exigir do estado, mediante debates em audiências públicas, investimentos financeiros, priorizando as pessoas com menos renda, com o objetivo de minimizar a exclusão social. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante dessa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas que financiem o estudo EAD de estudantes que não possuem condições suficientes para tal. Desse modo, a incapacidade coletiva de enxergar, se restringiria à obra ficcional do escritor José Saramago.