O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 15/08/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir, pode servir de metáfora para a má distribuição da internet no Brasil, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da desigualdade social quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, precipuamente, que a periodização irregular da economia nacional entre o tecido brasileiro é um fator determinante para a problemática. Parafraseando o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, com o advento da globalização no final do Séc XX, foi provido um aumento na taxa de natalidade brasileira. Contudo, desde então, passaram a surgir graves transtornos, dentre eles a má distribuição de renda entre os indivíduos brasileiros, acarretando, dessa forma, a emblemática desigualdade social. Dessa maneira, o acesso a internet tornou-se restrito a uma significativa parcela populacional, visto que, tais grupos, por vezes, não têm recursos para manter tal rede de acesso. Nessa égide, para o escritor francês Vitor Hugo, a igualdade é a principal forma de justiça. Diante disso, avalia-se que enquanto o país for desigual, nunca atingirá a justiça e nem muito menos o progresso.

Faz-se mister evidenciar ainda, que a falta de acesso a internet no Brasil encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a democratização da internet nas regiões brasileiras, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna nessa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do PNAD, em 2018, 46 milhões de pessoas não tinham acesso a rede. Consoante ao poeta Carlos Drummond de Andrade, tem uma pedra no meio do caminho. Destarte, essa pedra simboliza os obstáculos enfrentados por alguns indivíduos pela ausência de acessibilidade a internet. Logo, trazer à parte essa patologia, aumentaria a chance de atuação nela.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Governo Federal, por meio de ações: fiscalizar devidamente a distribuição de renda no Brasil, criando programas de acessibilidade a internet nas zonas inacessíveis, como franquias de baixos custos e acesso amplo no interior do Nordeste e Sudeste, para que, de tal forma, todos os componentes nacionais possam ter acessibilidade a tal rede de interação social e científica. Somente, assim, os escândalos metaforizados por Beauvoir poderão ser desabituados.