O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 24/08/2020
É indiscutível alegar que a tecnologia alterou a vida em sociedade nas mais diversas esferas. A internet, especificamente, potencializou o compartilhamento de informações e aprendizados. Nessa perspectiva, o educador McLuhan propôs o conceito de “Aldeia Global”, que baseia-se em um mundo interligado pela tecnologia, onde ocorre uma distribuição sucessiva de dados. Logo, entende-se que a Educação a Distância (EAD) se encaixa nessa definição, a qual por meio de aparelhos eletrônicos tornou-se uma possibilidade para o aprendizado na esfera mundial. Todavia, a recente implantação desse modelo educacional tornou-se tema de questionamento, tendo em vista que a realidade socioeconômica de inúmeros estudantes, e a carência social, ressaltam a necessidade de uma resolução para a problemática.
Em primeira análise, torna-se imprescindível destacar que, em função da perspectiva socioeconômica, diversos estudantes não dispõem de condições financeiras para assistir aulas virtualmente. Consoante a isso, de acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, a globalização atinge o mundo, mas não a todos os lugares, dado que aproximadamente 35% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), não tem aquisição à internet, tendo em vista o alto preço. Sendo assim, tal realidade impossibilita que alunos em vulnerabilidade econômica tenham acesso a essa modalidade de ensino. Diante disso, torna-se inviável a educação digital, já que não seria possível a contemplação a todos os brasileiros.
Ademais, é irrefutável que as dificuldades no processo de socialização contribuem para a perpetuação das dificuldades advindas da educação a distância. Na obra cinematográfica norte-americana “Extraordinário”, uma das temáticas primordiais é a importância da relação social. Dessa forma, ela corrobora como um dos obstáculos da educação a distância no Brasil, já que a perda dessa experiência é eminente. Logo, é visível que essa modalidade prejudica o senso crítico, e o respeito a identidade, sendo elas advindas do processo de socialização secundário, conforme a teoria do sociólogo Émille Durkhein. Nesse sentido, é necessário analisar tal cenário, relacionado diretamente a aspectos educacionais e sociais.
Infere-se, portanto, a necessidade de alternativas para solucionar a problemática. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Governo Federal, promova o investimento em recursos tecnológicos nas comunidades carentes, com foco nas regiões sem acesso à internet. Em suma, a ação deve ser feita por intermédio de emendas constitucionais, as quais garantam que esse investimento alcance os múltiplos Estados, a fim de que todos tenham acesso a mesma.