O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/09/2020
É fato que a internet revolucionou a vida em sociedade, potencializou o compartilhamento de informações e transmudou as formas de aprendizado. Nesse contexto, com a era digital, a educação se tornou passiva a mudanças, e o Ensino a Distância (EAD) ajusta-se a essa realidade, a qual, por intermédio de aparelhos eletrônicos, surgiu como uma possibilidade para o aprendizado na esfera nacional. Todavia, a implantação desse modelo didático converteu-se em tema de questionamento na contemporaneidade, tendo em vista que a realidade socioeconômica de inúmeros estudantes e a carência social representam barreiras.
Em primeira análise, devido à perspectiva socioeconômica, diversos estudantes não dispõem de condições financeiras para assistir aulas virtualmente. Consoante a isso, o geógrafo Milton Santos propõe que: a globalização atinge ao mundo todo, mas não a todos os lugares, tendo em vista que inúmeros estudantes se encontram a margem dessa realidade tecnológica, impossibilitando que alunos em vulnerabilidade econômica tenham acesso a essa modalidade de ensino. Diante disso, torna-se inviável a educação digital, já que não seria possível a contemplação dela a todos os brasileiros.
Em segundo plano, dificuldades inerentes ao processo de socialização contribuem diretamente para a perpetuação dos entraves advindos da educação à distância. Na obra cinematográfica norte-americana “Extraordinário”, uma das temáticas primordiais é a relevância das relações sociais. Dessa forma, ela corrobora como um dos obstáculos da educação à distância no Brasil, dado que a perda dessa experiência é evidente nessa modalidade de ensino, prejudicando o senso crítico e o respeito à identidade, sendo esses advindos do processo de socialização secundária, conforme a teoria do sociólogo Émille Durkhein.
Infere-se, portanto, que a Educação a Distância no Brasil é um tema relevante e que necessita de resoluções. Nessa lógica, urge que o Ministério da Educação invista em recursos tecnológicos nas comunidades carentes, com foco nas regiões sem acesso à internet. Em suma, a ação deve ser feita por intermédio de políticas públicas, as quais garantam que esse investimento alcance os múltiplos Estados do país, com o intuito de que todos tenham acesso à educação de qualidade. É de igualitária importância que as instituições de ensino disponibilizem momentos de interação para os estudantes, como, por exemplo, apresentações de seminário em grupo. Só assim, a sociedade se aproximará de uma comunidade educacionalmente homogenia e democrática.