O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 05/09/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de resolução. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a falta de acesso à internet no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar as questões psicanalíticas e sociais que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente perante a falta de investimento financeiro em internet nos espaços públicos. Isso porque um estudante pode ter interesse de realizar pesquisas na web para efetuar uma atividade escolar. Contudo, entender que não possui acesso à internet tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social diante da ausência de acesso à internet. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população ao não lutar por assistência estatal, visto que falta oferecer aos indivíduos de baixa renda um auxílio financeiro para possibilitar a compra de aparelhos eletrônicos, já que a falta dessa contribuição compromete o direito à inclusão digital. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que há um processo de massificação social que promove a alienação das pessoas, prejudicando, dessa forma, o senso crítico desses.

Constata-se, finalmente, que a falta de acesso à internet deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do Ministério da Economia, para instalação de redes de internet em espaços público, objetivando, com isso, assegurar a conexão ao ciberespaço pela sociedade. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas promovidas por organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado, por intermédio por intermédio do Poder Executivo, através do oferecimento de assistência financeira às pessoas prejudicadas economicamente, com o objetivo de assegurar a obtenção de aparelhos tecnológicos, garantindo, assim, o direito à inclusão digital. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução dos impasses existentes.