O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 07/09/2020

No longa Freenet, é retratada a distopia paradoxal da internet mundial; de um lado, países ricos pagando um baixo preço pelo acesso, do outro, países pobres pagando altíssimos preços para tal. Nesse contexto, o Brasil insere-se na segunda situação, evidenciando, infelizmente, a transformação da internet em um privilégio socioeconômico. Isso é reflexo direto da monopolização dos provedores na qual resulta na desproporcional distribuição de usuários. Logo, é mister a análise do acesso à internet no Brasil

Primordialmente, devido a ausência de concorrência entre os provisores brasileiros, os consumidores são submetidos as suas imposições. Por esse raciocínio, conforme a ABRINT(Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações), o oligopólio composto pelo Grupo Claro, Oi e Vivo domina 84% das banda largas nacionais. Dessa maneira, as decisões empresariais de reajustes -  quer seja de valores ou velocidade - dificultam ainda mais a aquisição de planos de rede aos mais pobres, tornando, assim, indubitável a restrição a usuários que possuem maior poder aquisitivo.

Por conseguinte, tal panorama demonstra a desigualdade social na utilização da internet. Seguindo esse pensamento, de acordo com a pesquisa do Comitê Brasileiro Gestor da Internet, aproximadamente 55% de quem não possui acesso a rede mundial pertence as classes D e E. Logo, cria-se uma dicotomia, diretamente associada a condição financeira dos indivíduos, entre quem possui ou não tal possibilidade aquisitiva, ratificando ainda mais a injusta privilegiação da internet.

Infere-se, portanto, a inegabilidade do processo de beneficiamento de classe elitizadas acerca da navegação no ciberespaço. Enfim, é de suma importância a intervenção do Estado, subsidiando e estabilizando os preços do ádito a este, de forma que seja possível atingir a toda a população - que seja pouco dependente da condição financeira desta, por meio de investimentos diretos nas empresas que a distribuem, a fim de democratizar o acesso a internet e, por consequência, romper com a distopia supracitada.