O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 07/08/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de tecnologias, a restrição de acesso à “internet” no Brasil funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, o baixo investimento governamental mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Conforme, Thomas Hobbes, no contrato social, “o governo deve garantir o bem-estar social”, ou seja, deve promover a igualdade de direitos a toda a população, o que não está acontecendo na prática, visto que carecem de ações afirmativas que proporcionem o acesso à “internet” integralmente pelo coletivo. Por esse ângulo, a origem dessa negligência reside na carência de prioridade de investimento monetário em infraestrutura — celular, rede, computador — para pessoas que não possuem condições possíveis de comprar essas ferramentas, tendo como consequência uma sociedade menos desenvolvida e mais desigual. Por isso, se o corpo politico não der atenção suficiente ao empecilho, as gotas de sujeira resultarão no caos humanitário.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre a importância do acesso à “internet” apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar social. Segunda Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com as ideias cotidianas que circulam nas ruas citadinas de que a “internet” só serve para redes sociais e entretenimento. Nesse aspecto, as pessoas não recebem incentivos informativos — dados, infográficos — que mostrem como a conexão virtual pode ser importante para a educação, por exemplo, em que aulas à distância podem garantir a democratização do conhecimento. Com isso, se o pensamento banal não for combatido, a consequência será o aumento da restrição do acesso à “internet” e a diminuição do desenvolvimento do ser pensante e crítico advindo com a educação.

Portanto, medidas são necessárias para garantir o acesso à “internet”. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia implementar ações afirmativas com o “slogan”: A igualdade de conexão”. Esse projeto pode ser feito mediante o investimento monetário em infraestrutura, como computadores, redes 4G e dispositivos móveis para cidadãos que não conseguem acessibilidade ao meio eletrônico, de modo que possam desenvolver o senso crítico com a educação, resultando na melhora da qualidade de vida e na efetividade da ideia dita por Hobbes.