O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 16/09/2020

Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à igualdade e à educação.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que  a internet não é acessível para toda a sociedade.Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, isso sendo consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, o que dificulta a atenuação do problema.

Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na garantia de internet de qualidade para toda a população.Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não desenvolve um projeto que objetive construir redes de “Wi-Fi” gratuitas nas regiões marginalizadas que dificilmente possuem essa tecnologia, como áreas rurais e comunidades periféricas.Logo, a escassez dessa medida contribui para a manutenção da desigualdade social, já que pessoas sem contato com o mundo digital não dispõem de ferramentas indispensáveis na atualidade, como correio eletrônico e sites de pesquisa.

Ademais, o acesso à internet também está relacionado com a aptidão do usuário em utilizar essa tecnologia com competência, ao passo que as instituições de educacionais demonstram-se ineficientes em estimular a disciplina na aprendizagem do estudante.Nesse ínterim, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva.Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de organizar o uso da “web”, de forma a predefinir os horários para estudo e pausas para lazer.Portanto, em função da baixa escolarização e do despreparo em navegar no mundo digital, parte da população pode viciar-se em recursos como redes sociais, o que prejudica projetos que necessitam de autodisciplina, como o ensino à distância.

Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática.Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio do financiamento de palestras educacionais, orientar os alunos na utilização dos ciberespaços, como na aplicação do método de estudo pomodoro, que visa aumentar a produtividade pelo gerenciamento de tempo, de forma a tornar o uso da “web” organizado e disciplinado.Desse modo, a internet será mais acessível para a população, já que o usuário vai estar capacitado a usar essa tecnologia e sua infinidade de informações, a fim de atenuar a desigualdade.