O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 22/09/2020

Na série Onisciente, produção brasileira da Netflix, é mostrado o contraste entre uma cidade segura e conectada em relação a outra marginalizada, com visível ingresso digital limitado. Nessa lógica o acesso à internet no Brasil obedece uma dinâmica ficcional e de desigualdade que permanece intrínseco à realidade. Essa problemática persiste seja pela exclusão infraestrutural -não disponibilidade

de serviços de internet- seja no analfabetismo digital, que consiste na ignorância quanto as tecnologias.

A priori, é imperioso destacar que a digitalização é de absoluta importância no contexto educativo e informacional. Nesse viés, excluir parcelas sociais das evoluções tecnológicas consiste, portanto, em uma negação dos direitos dos cidadãos constitucionalmente defendidos. No livro Cibercutura do sociólogo Pierry Lévy, é apresentando e defendido o conceito de sociedade coletiva, em que a internet é responsável pela descentralização de conhecimentos. Consoante Pierry, ainda, é relevante inflamar a defesa do uso digital como forma de democratização do saber e da educação. Com tudo isso, se faz necessário políticas públicas que promovam a mitigação dessa mazela.

Em segundo plano, está a dificuldade de alguns quanto ao manuseio de aparelhos e utilização das funções online, chamado de exclusão cognitiva. Esse panorama é reflexo tanto do analfabetismo funcional como do choque de gerações. Com isso, consequentemente, os não conhecedores da linguagem digital, incluindo os idosos, possuem aceso delimitado às tecnologias de informação e comunicação (TICs). Para a escritora nigeriana Chimamanda, em uma palestra no TEDx, é primordial conhecer todas as vertentes das problemáticas para saná-las. Assim, de forma equânime, a busca pelo acesso à internet no Brasil deve ser uma luta para a inclusão de toda a sociedade.

Logo, fica claro que é impreterível a concessão dos direitos ao acesso digital. Para tanto, os órgãos do Estado responsáveis pela educação, ciência e tecnologia devem ter por ação criar um programa com fundos econômicos da União -usado de maneira direta na reforma e construção de laboratórios digitais em escolas públicas. Com isso, por meio dessas instituições de ensino, poderá ser ofertadas aulas gratuitas de letramento digital a alunos de qualquer idade por docentes qualificados. Ademais, junto com tal projeto, poderão ser instalados pontos de Wi-fi com repetidores potentes de sinal. Essas medidas, terão o fito de proporcionar logística para que as redes de internet e conhecimentos cheguem aos discentes  e regiões carentes. Assim, a linha que une a série ficcional à realidade, ficará mais tênue