O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 29/09/2020
No século XX, o mundo teve um avanço da tecnologia e uma propagação das redes de comunicação e informação, em que a internet é criada, inicialmente, como um recurso para fins bélicos, porém, atualmente, outras funções são atribuídas a essa tecnologia, dentre elas o acesso da população às redes sociais e até ao ensino à distância. Nesse sentido, nessa sociedade em rede, apesar de altamente tecnológica, nem todos possuem acesso à internet e podem comprar os equipamentos necessários, e, assim, surge uma nova desigualdade em determinados grupos sociais: a digital. Portanto, no Brasil, evidencia-se a persistência de uma exclusão digital, que está intrinsecamente ligada à desigualdade social e tem repercussões negativas que promovem a segregação de certos indivíduos.
Em primeira análise, são notórias as disparidades socioeconômicas entre as regiões brasileiras que refletem na acessibilidade digital. Nessa perspectiva, durante a Ditadura Militar, houve um agravamento da desigualdade social e um aumento no índice de pobreza entre a população, que causou reflexos na contemporaneidade e também ressoou no acesso ao mundo virtual. Assim, elementos que constituem o processo histórico do Brasil, como a concentração de renda e falta de distribuição de serviços básicos de saúde e educação, propiciam uma distância entre as classes sociais que impede uma democratização do acesso às novas tecnologias. Dessa forma, o baixo poder de compra evita a a conexão à internet de uso doméstico, já que não se consegue ter os equipamentos necessários, como aponta a pesquisa da TIC Educação 2019, em que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa, o que prejudica a educação à distância durante a pandemia.
Além disso, a manutenção desse cenário de exclusão digital realça as mazelas que segregam determinados grupos. Nesse viés, Milton Santos, ao tratar das particularidades da chamada Quarta Revolução Tecnológica-Informacional, evidencia a divisão do território brasileiro em quatro zonas a partir da possiblidade de conexão com a internet, com destaque para as regiões do Norte e do Nordeste, que apresentam uma marginalização tecnológica. Com isso, percebe-se que a falta de acesso à tecnologia, causa uma segregação social, já que a sociedade está informatizada e realiza diversas tarefas de forma online, enquanto alguns não conseguem se inserir.
Portanto, infere-se que a desigualdade social refreia a formação da sociedade em rede e causa uma segregação. Para superar o problema, as escolas, por meio de subsídios provenientes do governo federal, devem se equipar com computadores e tablets e permitir acesso dos alunos e da comunidade em horários fora das aulas, mediante cadastro, a fim de colaborar nas atividades escolares e no acesso livre da população carente que precisa estar online. Logo, espera-se propiciar maior igualdade digital.