O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o acesso à internet no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da desigualdade social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Deve-se destacar, de início, a incúria da pátria como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rouseeau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que a conexão de rede rompe com as defesas do filósofo iluminista, sobretudo, pela falta de investimento governamental em programas que solidifiquem a base da sociedade. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, parte da população ainda não tenha acesso à internet, violando o que é exigido constitucionalmente.
Ademais, é imperativo ressaltar a desuniformidade social como um dos promotores do problema. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) quase 46 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018, sendo mais da metade desse valor na região Norte e Nordeste. Partindo desse pressuposto, sabemos que os cidadãos que não tem acesso a internet são extremamente prejudicados, devido ao fato de que na contemporaneidade predomina-se resoluções virtuais de objetos do cotidiano. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a má distribuição de renda contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o acesso à internet, necessita-se, urgentemente que o Estado invista, por meio de verbas governamentais em distribuir pontos de acesso gratuito de internet, principalmente em regiões mais carentes. Além disso, as instituições públicas, como o Ministério da Educação deve proporcionar cursos de atualização nas escolas em períodos noturnos para aqueles que não possuem conhecimentos básicos de informática. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da má distribuição de internet, e a coletividade alcançará a Utopia de More.