O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Na corrida por um padrão de vida elevado, a linha de partida é mais próxima da linha de chegada para os que possuem acesso à internet. Reforçando a desigualdade social vigente, possuir conexão às redes apenas demonstra o recorte social da sociedade do século vinte e um. No Brasil, uma pesquisa realizada pelo IBGE demonstrou que um a cada quatro brasileiros não possui acesso à internet. Urge que a problemática em análise seja revertida por meio de novas soluções que visem a instalação de redes públicas de Wi-Fi nas cidades e a facilitação do acesso aos computadores nas escolas.
Em primeiro lugar, é importante que a digitalização e a modernização — que, por sinal, andam juntas — sejam colocadas em pauta. Com a atual pandemia do Covid-19, o acesso à internet no Brasil e no mundo se tornou ainda mais primordial e necessário. Todavia, uma pesquisa do TIC Domicílios em 2018 revelou que 42% das casas brasileiras não possuem acesso ao meio de comunicação. Na contemporaneidade, são muitos os que dependem da tecnologia para estudar e buscar oportunidades de emprego; dessa maneira, na grande maioria dos casos são os privilegiados que alcançam o tão sonhado mercado de trabalho e crescem tanto socialmente quanto economicamente.
Em segunda instância, é preciso deixar claro que a tecnologia não é para todos. Um relatório divulgado pela Unicef, órgão das Nações Unidas, declarou que 60% dos jovens africanos não conseguem se conectar à internet. Tendo em vista os dados analisados anteriormente, como ousam dizer que o mundo é conectado e globalizado? Essa globalização só existe de fato para os continentes desenvolvidos, reforçando mais uma vez a exclusão social e, além disso, quebrando o mito da meritocracia que só existiria se houvesse igualdade de condições para todos os indivíduos do globo terrestre.
Portanto, é de extrema importância e urgência que medidas sejam tomadas para que o problema em questão seja superado. Cabe ao Ministério da Educação — juntamente com o Governo Federal e incentivos públicos e estaduais — a instalação de redes públicas de Wi-Fi, tendo como prioridade as regiões marginalizadas. Ademais, investimentos devem ser realizados pelas Secretarias de Educação municipais, que precisam investir na compra de computadores e na maior valorização do ensino à tecnologia. Somente dessa maneira, possuir acesso à internet não será mais um dos vários indicadores da desigualdade social na atual sociedade brasileira e todos os indivíduos poderão usufruir dos bens proporcionados pela tecnologia.