O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Para o filósofo Immanuel Kant, “o homem é tudo aquilo que a educação faz dele”. Por isso, é preciso que a educação seja possível para todos. Durante o período de pandemia do Covid-19 em 2020,  a Educação a Distância foi adotada em nível nacional. No entanto, se o acesso à internet no Brasil é defasado, muitas pessoas não tiveram como estudar nesse ano. Assim, a desigualdade social aumenta, uma vez que a educação não foi possível para todos.

Em primeira análise, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios apontou que 42% dos lares brasileiros não têm internet. Dessa forma, alguns estudantes não puderam dar continuidade ao ano letivo ou se preparem para os vestibulares. No entanto, o Ministério da Educação divulgou uma propaganda referente ao Exame Nacional do Ensino Médio, que incentivava os alunos a estudarem “de qualquer lugar” e “irem à luta”. Logo, esse comercial mostra o descaso dos órgãos Federais para com os estudantes de baixa renda, o que aumenta a desigualdade social, pois aqueles que não necessitam de respaldo do Estado e tiveram como assitir às aulas, serão capazes de tirar notas melhores nos vestibulares, enquanto quem não pôde, ficará cada vez mais à margem da sociedade.

Em segundo lugar, espera-se que o Estado compense o tempo e o conteúdo perdido para que os mais vulneráveis economicamente não ficam em defasagem. Porém, o Governo de São Paulo autorizou as escolas a aprovarem os alunos independente de suas notas. Portanto, além de o Estado não suprir a falta do mínimo para os estudantes, também não os auxiliará na recuperação do prejuízo causado pelo despreparo da gestão. Como exemplo disso, em uma reportagem feita pelo programa “Fantástico”, foi retratada a rotina de uma garota que precisava sair todos os dias da sua casa, e se expor ao covid-19 para estudar na casa de um colega com internet. Dessa maneira, têm-se a ideia supracitada de “ir à luta” e transfere a responsabilidade do Estado para as mãos de quem está tentando construir um futuro.

Por fim, a má distribuição de internet no Brasil aumenta a desigualdade social. Para solucionar esse problema, cabe ao Ministério da Educação investir na instalação de Wi-Fi gratuito nos locais onde não há internet, e na compra de tablets para todos os alunos terem meios de ver as aulas. Também deve reavaliar a aprovação automática dos estudantes, para repetir o ano letivo sem prejudica-los, a fim de garantir o aprendizado e, finalmente, democratizar a educação. Em suma, somente assim o acesso à internet não será indicador de desigualdade.