O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 27/10/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se na chamada ‘‘Modernidade Líquida’’, marcada pela fugacidade de mudanças e de muitas informações, amplamente disponíveis na internet ,que se configura como figura central nessa fase da humanidade, devendo, assim, ser disponível a toda a população. No Brasil, entretanto, o acesso às redes de comunicação virtuais não é democrático, o que leva a uma segregação educacional e informacional de grande parte da nação. Verifica-se, portanto, a omissão do Estado em promover a ampla conexão do país à internet, o que deve ser combatido, a fim de gerar uma sociedade realmente inclusiva e informada.
A priori, compreende-se que a gestão estatal é falha em gerar um real acesso do pais à internet. De acordo com pesquisa feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apenas 42 % dos domicílios possuíam, em 2018, um computador. Esse dado revela a insuficiência do Estado em suprir a demanda de conexão da população, em especial a mais carente, que não possui condições de adquirir aparelhos e assinar planos para acessar as redes. Assim, é preciso investir na melhora da infraestrutura tecnológica da nação, para que seja garantido o acesso de todos à informação.
Por consequência, ocorre a segregação informacional e educacional da parte da população que não possui acesso às redes digitais. Com a pandemia causada pelo Sars-CoV-2, as aulas, em muitas escolas, migraram para um sistema on-line, que pressupõe a conexão à internet. No entanto, parte dos estudantes não a possuem, implicando num atraso de aprendizado, o que caracteriza, assim, a falta de conexão ao ciberespaço como negativa ao ao aluno. Ademais, a desconexão virtual provoca, ainda, menor acesso às notícias e informações, contribuindo para a alienação da sociedade, sendo prejudicial ao sistema democrático. Dessa forma, verifica-se a urgência em promover essa forma de comunicação, a fim de garantir uma educação e democracia verdadeiras.
Para solucionar, enfim, tal problemática, urge que o Ministério das Comunicações, em parceria com empresas privadas, forneça o acesso da parcela mais carente da sociedade à internet. Isso poderia ser feito por meio da venda subsidiada de aparelhos de internet via satélite, garantindo baixos preços para uma conexão de qualidade, de modo a integrar até mesmo as populações mais distantes dos centros urbanos ao ciberespaço, garantindo informações e educação à nação. Desse modo, poderá garantir-se um país menos desigual e esclarecido.