O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 28/10/2020
A Revolução Técnico - Científica Informacional, iniciada no final do século XX, é responsável por proporcionar, para todos os setores da sociedade, incontáveis inovações, dentre as quais destaca-se a internet. Entretanto, em países em desenvolvimento, como o Brasil, os avanços tecnológicos foram tardios e são, em sua grande maioria, exclusivos para as classes dominantes, situação a qual configura extrema desigualdade social. A partir disso, é possível compreender que não só os preços exorbitantes dos aparelhos tecnológicos como também a ausência de estruturas de qualidade são alguns dos principais fatores pelos quais o acesso à internet no país é desigual.
Em primeira análise, o montante essencial para a compra de aparelhos tecnológicos representa um empecilho para o acesso igualitário à internet no Brasil. Nesse sentido, Pierre Lévy, filósofo francês, defende que toda nova tecnologia gera seus excluídos. Sob esse viés, é possível explicar o fato de que, apesar de a internet ter sido inventada no final da década de 1960, já no século XXI, ainda não existe acesso democrático a esse recurso no Brasil. Decerto, o copioso custo exigido para acessar um recurso essencial para a sociedade é refletido na exclusão digital de significante parcela da população. Ademais, a questão da precária qualidade da estrutura necessária para o uso da internet no Brasil evidencia uma adversidade para o acesso à tal serviço. Indubitavelmente, a Constituição de 1988 garante a igualdade de todos perante a lei. Entretanto, graças ao acesso desigual à internet, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Sob esse viés, Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, afirma que o povo dispõe de “Cidadania de Papel”, ou seja, os direitos concedidos pela Constituição estão restritos ao documento. Essa hipótese explica o descaso governamental em relação à qualidade da infraestrutura implementada, visto que o acesso a esse recurso é garantido pelo documento, entretanto isso não é a realidade.
Logo, o pleno acesso à internet é comprometido pelos exagerado valor de compra de aparelhos tecnológicos e pela precariedade da estrutura desse recurso. Assim, o Ministério da Tecnologia e Inovações, cumprindo seu papel social de promover o desenvolvimento dos recursos tecnológicos, deve combater os preços exorbitantes dos aparelhos. Essa medida deve ocorrer por meio da promoção de subsídios e de incentivos fiscais, a fim de promover melhor acesso a tais produtos. Além disso, o Ministério da Cidadania deve fomentar a implementação de estruturas necessárias nas zonas periféricas. Tal ação deve ser realizada por meio da promoção de subsídios e de incentivos fiscais a fim de que ocorra o acesso à internet em áreas não privilegiadas, a fim de contribuir para a democratização do acesso a esse recurso