O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Internet no Brasil: tecnologia não democrática

É indubitável que, na conjuntura hodierna, a internet apresenta um papel indispensável na sociedade brasileira, sendo fonte de informações, de lojas virtuais e de lazer. A Constituição responsabiliza-se pelo direito ao lazer e à educação, entretanto, no que tange o acesso à internet, esse direito encontra-se violado, uma vez que, segundo o IBGE, 46 milhões de brasileiros não possuem acesso às redes. Destarte, é evidente um problema de desigualdade social e de negligência estatal, que atinge as camadas mais necessitadas.

Segundo o físico alemão Albert Einstein, é claro e assustador o fato da tecnologia ter ultrapassado a humanidade. No Brasil, o acesso à internet é nitidamente desigual, como ficou exposto no ano de 2020, em que a pandemia de COVID-19 fez com que as escolas precisassem adotar o método de educação à distância (EaD). De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 70% dos alunos que frequentam o EaD assistem nas áreas urbanas, sendo possível concluir que os centros urbanos concentram o acesso à internet no Brasil. Logo, os estudantes das áreas rurais são afetados pelos impactos da pandemia de maneira mais severa do que os das áreas urbanas, em consequência da desigualdade do acesso à internet. É viável citar Darcy Ribeiro nesse contexto: o Brasil detém de uma perversidade intrínseca na sua herança, em virtude da sua classe dominante que é enferma de desigualdade.

Também é exequível somar aos aspectos supracitados a negligência do Estado quanto ao problema. Rousseau, em sua obra “Contrato social”, afirma que a sociedade abre mão de sua liberdade em certo nível, em prol do bem-estar social, que torna-se papel do Estado assegurar. Contudo, é nítido, de acordo com as referências supratranscritas, que o Estado brasileiro falha com essa obrigação. A camada da sociedade brasileira que não detém dos meios necessários para fazer uso da internet encontra-se desamparada pelo governo nesse quesito, dificultando a democracia, não somente, infringindo a Constituição.

Em síntese, o acesso à internet no Brasil não é democrático, em consequência do menosprezo do Estado pelas classes mais pobres. Isto posto, é imperioso que o Estado brasileiro entre em ação, corrigindo os seus erros. Com ajuda do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e com o direcionamento de verbas necessário, o governo pode identificar as cidades onde o acesso à internet é faltoso, possibilitando a criação de programas sociais que levem o acesso aos locais identificados. Com as medidas apresentadas aplicadas, o acesso à internet no Brasil torna-se democrático e justo.