O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 14/11/2020
De acordo com o sociólogo contemporâneo Pierre Bourdieu, os grupos estão posicionados de maneira diferente dentro de uma comunidade em virtude da heterogênea distribuição dos recursos. Essa ideia vai ao encontro da atual conjuntura brasileira, posto que a internet, importante mecanismo de interação socioeducativo, não se encontra amplamente difundida em todo o território nacional. Tal cenário ocorre não só em razão da elitização dos instrumentos científicos, como também devido à falha governamental em atender as demandas societárias. Logo, faz-se necessário analisar as causas corporativas para que haja uma reversão do quadro.
Deve-se destacar, primeiramente, que o desigual fornecimento dos meios materiais ou simbólicos representa um entrave na resolução do problema. Acerca disso, em seu livro “Quarto de Despejo”, a escritora Carolina Maria de Jesus relata seu cotidiano na favela, onde, segundo a autora, há a privação dos elementos capazes de proporcionar uma boa qualidade de vida aos cidadãos. Fora da ficção, essa perspectiva se dá em virtude da excessiva preocupação de se obter lucro, gerada pelo sistema capitalista, o qual beneficia o desenvolvimento estrutural dos centros urbanos, regiões de elevada concentração econômica, em detrimento das periferias. Desse modo, fica evidente que a centralização fundiária dificulta a inserção da internet nas regiões mais carentes, tornando essa esfera tecnológica um intensificador da desigualdade social.
Ademais, é imprescindível destacar que a negligência estatal contribui para a manutenção da problemática. Sob esse viés, o jornalista Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, critica a Constituição Federal de 1988, ao afirmar que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Tal proposição pode ser comprovada pelo precário investimento do governo em políticas públicas que disseminem os meios cibernéticos, importantes na ascensão social do indivíduo, já que fortalecem as relações interpessoais, entre a população. Dessa maneira, o ineficaz incentivo do Estado no desenvolvimento intelectual da população acarreta a limitação do contato desse grupo com a internet.
Tendo em vista o que foi analisado, portanto, cabe ao poder público, entidade responsável por promover programas sociais, elaborar projetos de instalações de rede elétrica, com disponibilidade à internet, sobretudo nas localidades mais marginalizadas. Tal ação deve ser realizada por intermédio de incentivos fiscais, a fim de que esse artifício tecnológico seja amplamente difundido na sociedade e, consequentemente, seja capaz de minimizar a segregação entre os cidadãos. Assim, será possível a construção de uma sociedade permeada pelos direitos elencados na Carta Magna.